Super El Niño pode cortar 2% do PIB da América Latina
Super El Niño de intensidade histórica pode custar, em três anos, até 2% do Produto Interno Bruto (PIB) da América Latina e do Caribe e lançar 4,8 milhões de pessoas adicionais na pobreza, conclui relatório especial da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal), divulgado nesta segunda-feira (21).
Perda econômica concentrada já no primeiro ano
De acordo com o estudo, cerca de metade da retração projetada ocorreria no primeiro ano do fenômeno climático, reduzindo a renda familiar e ampliando a vulnerabilidade social. O levantamento considera um episódio extremo, classificado como “Súper El Niño”, com anomalias de até 3 °C na área Niño 3.4 do Pacífico.
Setores mais expostos: energia, agricultura e pesca
No setor elétrico, países que dependem majoritariamente de hidrelétricas — alguns com mais de 70% da matriz — enfrentariam reservatórios críticos justamente quando o calor eleva a demanda por refrigeração. A Cepal calcula que, entre outubro e dezembro de 2026, a probabilidade de déficit de chuvas atinja 60% em partes da região.
A agricultura também figura entre as áreas mais frágeis. Análises da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura indicam mais de 70% de chance de secas severas no Corredor Seco da América Central e em zonas da Colômbia, Venezuela e Caribe, comprometendo colheitas, oferta de alimentos e renda rural.
Na pesca, o aquecimento superficial enfraquece a ressurgência de águas frias e ricas em nutrientes, derrubando estoques de espécies como anchoveta e sardinha. Episódios anteriores reduziram capturas em até 52,7%, lembra a Cepal.
Probabilidade de intensidade recorde
Projeções da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos EUA (NOAA) apontam mais de 90% de chance de o fenômeno alcançar intensidade muito forte entre o outono e o inverno do Hemisfério Norte de 2026-2027, período correspondente à primavera e ao verão brasileiros.

Imagem: Internet
Recomendações preventivas
O órgão da ONU defende a criação de mecanismos financeiros de emergência, fortalecimento de infraestrutura resiliente, sistemas de alerta antecipado e diversificação da matriz energética. Para a Cepal, ações preventivas custam menos do que respostas tardias a crises climáticas.
O relatório também sugere planejar estoques de água e alimentos, ampliar a integração elétrica regional e estimular o consumo eficiente de energia para suavizar impactos socioeconômicos.
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Crédito da imagem: G1
