Inflação anos 80: pico de 1.800% some da nostalgia
Inflação anos 80 é um termo que quase não aparece quando as redes sociais lembram dos bailinhos, dos looks chamativos ou dos sucessos do cinema da época. No entanto, em 1989, o índice oficial bateu 1.782,9%, fazendo o dinheiro perder valor em questão de horas e obrigando famílias a antecipar compras para evitar preços ainda mais altos.
O peso da alta no dia a dia
Com preços remarcados mais de uma vez ao dia, consumidores corriam aos supermercados logo após receber o salário. Os mais pobres sofriam mais, pois não tinham acesso a aplicações financeiras capazes de preservar poder de compra. Já quem possuía conta em fundos de renda fixa e outros instrumentos indexados conseguia blindar parte do patrimônio contra a corrosão monetária.
Planos econômicos e troca de moedas
A escalada de preços levou o governo federal a lançar sucessivos pacotes de emergência, que combinavam congelamentos, cortes de zeros na moeda e mudanças de nome, como cruzeiro, cruzado e cruzado novo. Embora populares no anúncio, tais medidas não atacavam as causas estruturais da hiperinflação e, por isso, produziam apenas alívio temporário.
O alívio definitivo veio em 1994
Só com o Plano Real, introduzido em julho de 1994, o país conseguiu reduzir a inflação para patamares de um dígito ao ano, criando uma nova moeda e estabelecendo o câmbio como âncora. Segundo dados do IBGE, o IPCA caiu de 916% em 1994 para 22% em 1995, marcando o fim de uma década de instabilidade de preços.
A lembrança seletiva dos anos 1980 ignora o impacto que a hiperinflação teve sobre salários, emprego e planejamento familiar. Relembrar o período completo ajuda a entender por que o controle de preços é prioridade de qualquer economia moderna.

Imagem: que a inflação era tão alta no Brasil
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Crédito da imagem: G1
