sexta-feira, outubro 9, 2026
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IA tem vontade própria? Especialistas explicam riscos

IA tem vontade própria? Especialistas explicam riscos

IA com vontade própria é a expressão que tem dominado o noticiário depois que líderes do setor, como Sam Altman (OpenAI) e Elon Musk (xAI), defenderam desacelerar o avanço da tecnologia. A polêmica ganhou força após um artigo de Dario Amodei, CEO da Anthropic, alertar sobre possíveis ameaças. Mas, afinal, os sistemas atuais podem mesmo se rebelar contra a humanidade?

Sem consciência, mas com poder de decisão complexo

Para Edney Souza, professor da ESPM, a inteligência artificial “apenas completa padrões estatísticos” extraídos de imensos bancos de dados. Ou seja, não há consciência ou desejo próprio. Diogo Cortiz, docente da PUC-SP, concorda: segundo ele, a IA não tem “nenhum tipo de vontade” capaz de motivar uma revolta.

Apesar disso, Cortiz reconhece que modelos cada vez mais robustos podem gerar respostas que contrariem valores humanos, causando impactos negativos em escala. O fenômeno não seria fruto de rebeldia, mas de decisões algorítmicas baseadas em dados imperfeitos.

Capacidades que já superam o humano

Em tarefas que dispensam emoção—como memória, identificação de padrões e produção massiva de textos ou imagens— a IA já vence o desempenho humano, afirma Souza. A tendência é de avanço rápido em novas áreas, o que explica a urgência do debate regulatório.

Riscos práticos e uso mal-intencionado

Izabela Anholett, fundadora da Nura AI, lembra que a tecnologia foi utilizada em 2026 para criar novos vírus. “Os danos vêm do humano que opera a ferramenta, não da IA em si”, alerta. Essa visão é corroborada por estudos independentes, como o publicado na revista Nature, que ressalta o potencial de uso dual de sistemas generativos.

Interesses por trás do pedido de pausa

Cortiz aponta motivações econômicas: altos gastos energéticos, retorno financeiro abaixo do esperado e a concorrência chinesa, mais barata, pesam na balança. Regras mais rígidas, defendidas pelas gigantes, podem ainda dificultar a entrada de novos players e proteger o mercado atual.

Com pontos de vista divergentes—Mark Zuckerberg e Jensen Huang rejeitam a freada, enquanto Donald Trump critica abertamente qualquer limitação—o consenso é que a IA não desenvolveu vontade própria. Porém, a necessidade de supervisão humana permanece inegociável.

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Crédito da imagem: SERGEI GAPON/AFP

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