Impeachment de Santiago Peña é pedido após crise bancária
Impeachment de Santiago Peña foi requisitado nesta quarta-feira (4) por 35 parlamentares paraguaios que culpam o presidente pela intervenção no banco digital Ueno, medida que deixou cerca de 3 milhões de correntistas sem acesso aos próprios recursos.
O que motivou o pedido
Segundo a oposição, Peña, que comandou o país em 2023 após carreira como ministro da Fazenda, manteve participação acionária no grupo controlador do Ueno até março passado, configurando possível conflito de interesses. O banco, pertencente ao Grupo Vázquez, administrava depósitos públicos estimados em US$ 850 milhões, inclusive verbas do Instituto de Previdência Social.
Quando o Banco Central do Paraguai decretou a liquidação da instituição, identificou insuficiência de capital ligada a empréstimos concedidos a empresas vinculadas ao próprio grupo. A medida provocou fechamento imediato das agências na terça-feira (3), ampliando a pressão sobre o governo.
Impacto no sistema financeiro
A crise forçou a renúncia de Carlos Carvallo, que presidia o órgão responsável por fiscalizar bancos, e resultou na prisão de oito diretores do Ueno, entre eles o CEO Miguel Vázquez. A Procuradoria ainda denunciou 27 pessoas e bloqueou bens dos investigados.
Relatos de instabilidade em aplicativos de outras instituições ampliaram o temor de contágio. Em nota, a Associação de Bancos do Paraguai (Asoban) afirmou que o sistema segue operando “normalmente” e que trabalha para acomodar o volume de clientes que migram do Ueno para outros bancos.
Próximos passos no Congresso
Para que o processo de impeachment avance, são necessários dois terços dos votos na Câmara. A bancada governista ainda não sinalizou se apoiará a sessão extraordinária marcada para esta quinta-feira (5). Em publicação na rede X, Peña prometeu levar “sem exceções” os responsáveis às barras da Justiça e sancionou lei que acelera o ressarcimento dos correntistas.

Imagem: Internet
Durante o debate, a deputada Rocío Vallejo acusou o presidente de “criar um monstro que prejudicou 3 milhões de paraguaios em um único dia”. Apesar das críticas, analistas avaliam que a solidez da base colorada pode dificultar a destituição.
O desfecho do caso permanece incerto, mas o episódio já se tornou a maior crise bancária do Paraguai em décadas, reacendendo discussões sobre supervisão financeira e transparência no setor público.
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Crédito da imagem: REUTERS

