Inadimplência na alta renda dispara 38,8% em um ano
Inadimplência na alta renda avança de forma acelerada no Brasil. Segundo o Sistema de Informações de Créditos (SCR) do Banco Central, em agosto a taxa de calote subiu 38,8% entre quem ganha de 10 a 20 salários mínimos e 35,8% para rendas acima de 20 salários mínimos, na comparação anual.
Cartão de crédito é principal vilão
Especialistas apontam o crédito rotativo do cartão como grande responsável pela deterioração das finanças até mesmo entre os mais ricos. A taxa média de juros dessa modalidade alcançou 451,7% ao ano (15,29% ao mês) em setembro. Já o parcelamento da fatura chegou a 193% ao ano, ou 9,37% ao mês.
“O cartão pode auxiliar no orçamento, mas, quando usado como extensão de renda, transforma-se em dívida caríssima”, alerta Fabio Bentes, economista-chefe da CNC.
Expansão do crédito pressiona orçamentos
Enquanto os juros permanecem elevados, o estoque de crédito para pessoas físicas cresceu 9,9% nos 12 meses encerrados em setembro. Apenas no rotativo, as concessões subiram 12,6%, totalizando R$ 37,3 bilhões, mostram dados do Banco Central. No parcelamento, o avanço foi de 8,4%, para R$ 17,6 bilhões.
Para Alexandre Amorim, planejador financeiro CFP, a combinação de internet e facilidade de consumo estimula compras por impulso. “Antes dizíamos para o cliente dar uma volta no shopping; hoje, o produto está a um clique”, comenta.
Inflação e juros básicos agravam cenário
A inflação segue acima da meta: o IPCA-15 subiu 0,32% em outubro e acumula 4,62% em 12 meses. Apesar da queda gradual da Selic, hoje em 13,75% ao ano, os efeitos do crédito caro persistem. “O brasileiro paga o preço da facilidade, e esse preço é a taxa alta do cartão”, afirma Bentes.

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Endividamento ainda atinge maioria das famílias
A Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), da CNC, mostra que 81,6% das famílias declararam ter dívidas em outubro. Entre os lares com renda acima de 10 salários mínimos, o percentual de endividados recuou levemente de 71,9% para 71,5%, mas a alta dos atrasos indica deterioração da qualidade do crédito.
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