Super El Niño: estoques agrícolas podem conter impacto
Super El Niño deverá ganhar força até o início de 2027, mas analistas veem o sistema alimentar global mais preparado do que em crises passadas. Graças a estoques de grãos próximos de recordes, tecnologias avançadas de manejo e à expansão de exportadores como Brasil e Rússia, a expectativa é de que perdas de produção sejam parcialmente compensadas.
Reservas históricas funcionam como colchão
Levantamento da FAO mostra que a produção mundial de arroz, trigo, milho e soja cresce acima do consumo desde os anos 1980. Índia e China concentram volumosas reservas: os indianos detêm arroz suficiente para mais de um ano de comércio global, enquanto os chineses armazenam quase metade do trigo mundial. Os estoques de óleo de palma, essencial para 60% das exportações de óleos comestíveis, também estão perto de máximas.
Brasil ganha protagonismo no comércio agrícola
Desde o El Niño de 1997, as exportações brasileiras de soja multiplicaram-se por 13, posicionando o país como maior fornecedor do grão. A Rússia, por sua vez, elevou as vendas externas de trigo de 1 milhão para 48 milhões de toneladas anuais. Esse novo mapa de suprimento reduz a dependência de um único polo produtor e dilui o risco de quebras regionais.
Tecnologia fortalece a resistência das lavouras
Melhorias genéticas, irrigação de precisão e uso intensivo de fertilizantes elevaram a produtividade mesmo em condições adversas. Híbridos de milho tolerantes à seca, variedades de trigo resistentes ao calor e arrozes de ciclo curto permitem colher em períodos mais curtos ou com menos umidade. Imagens de satélite, mapas de umidade do solo e plataformas de inteligência artificial ajudam produtores e governos a ajustar plantio, irrigação e defensivos com antecedência inédita.
Riscos persistem no horizonte
Conflitos no Oriente Médio e no Mar Negro encarecem diesel e fertilizantes, insumos essenciais à agricultura. Para a FAO, a combinação de custos elevados, clima extremo e tensões geopolíticas pode pressionar preços, ainda que o cenário atual seja menos dramático que os registrados em 1997-1998 ou 2015-2016.

Imagem: Internet
Em síntese, estoques abundantes, novos polos exportadores e salto tecnológico formam uma rede de segurança contra os impactos do Super El Niño. A monitorização constante do clima e dos mercados continuará decisiva para evitar choques de oferta.
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Crédito da imagem: AME/Divulgação
