Petróleo na Foz do Amazonas pede novo modelo, diz Sauer
Petróleo na Foz do Amazonas voltou ao centro do debate nacional após a Petrobras confirmar indícios de óleo leve no poço Morpho, a 175 km do litoral do Amapá. Para o ex-diretor da estatal e professor da USP, Ildo Sauer, o anúncio é “muito animador”, mas o país só colherá benefícios se adotar um modelo de exploração que maximize o retorno social.
Descoberta considerada promissora
A perfuração inicial apontou presença de óleo leve, produto com maior valor de mercado. O próximo passo é abrir um segundo poço para confirmar a extensão da jazida e, caso os resultados sejam positivos, comunicar formalmente a Agência Nacional do Petróleo (ANP) para iniciar o plano de avaliação. Segundo Sauer, o ciclo entre confirmação e produção costuma levar de cinco a sete anos.
Crítica ao modelo vigente
Na avaliação do ex-diretor, o regime atual — que combina concessão e partilha — permitiu que apenas uma fração da riqueza do pré-sal chegasse a áreas como educação, saúde e infraestrutura. Ele defende a contratação direta da Petrobras pela União, prevista na Lei 12.351/2010, em formato semelhante à prestação de serviços. Nesse arranjo, a estatal seria ressarcida pelos custos de produção e o excedente ficaria integralmente com o Tesouro Nacional.
Risco de repetir o passado
Sauer alerta que repetir o desenho do pré-sal pode limitar o impacto econômico da Margem Equatorial. Para ele, a maior fatia dos lucros acabou absorvida por acionistas, sistema financeiro e entes locais, enquanto investimentos estruturantes ficaram aquém da expectativa.
Relevância geopolítica em expansão
Com produção atual próxima a 4,5 milhões de barris por dia, o Brasil já ganhou presença no mercado internacional de energia. Se confirmadas reservas expressivas na Foz do Amazonas, o país pode reforçar esse protagonismo, embora ainda atue como “tomador de preços” definidos majoritariamente pela Opep e seus parceiros.

Imagem: que tanto otimismo com a descoberta na B
Para mais detalhes sobre esse debate, confira a análise publicada pela BBC News Brasil, referência internacional em cobertura de energia.
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Crédito da imagem: Petrobras/Divulgação via BBC
