Crise do varejo: redes em apuros e rivais avançam
Crise varejo marca novos capítulos da turbulência no setor, após Casas Bahia e Marabraz pedirem recuperação judicial no domingo (16). Com juros altos, crédito restrito e consumo enfraquecido, varejistas voltadas às classes média e baixa lutam para pagar dívidas e gerar caixa.
Endividamento restringe crédito
Segundo Olívia Flôres de Brás, CEO da Magno Investimentos, não há colapso generalizado, mas uma “seleção empresarial”. Empresas com margens estreitas, capital de giro intenso e modelo operacional caro são as mais vulneráveis. A dependência de financiamento para estocar produtos e parcelar vendas torna o impacto dos juros ainda maior.
Casas Bahia, Marabraz e Grupo Toky (Tok&Stok e Mobly) repetem o histórico recente de Ricardo Eletro, Americanas e outras marcas que ingressaram em recuperação judicial. O crédito mais caro somado ao endividamento das famílias reduz a capacidade de compra e pressiona as finanças dessas redes.
Plataformas digitais ganham terreno
Enquanto parte do varejo tradicional fecha lojas, Mercado Livre, Amazon e Shopee ampliam participação com logística eficiente, sortimento amplo e tíquete médio menor. Para Rebecca Nossig, estrategista da Nomad, o futuro pertence a operações verdadeiramente integradas, em que a loja física funcione como hub de distribuição para o e-commerce.
Especialistas apontam que a redução da taxa Selic, sozinha, não será suficiente para inverter a tendência. Mesmo quando o Banco Central inicia cortes, o alívio nas parcelas e no capital de giro leva meses para chegar ao consumidor e às empresas.
Reação do mercado financeiro
Na B3, ações do Grupo Casas Bahia (BHIA3) despencaram de mais de R$ 400, em 2020, para centavos, ilustrando a perda de confiança do investidor. Analistas projetam menor peso do varejo nas carteiras até que fluxo de caixa, rotação de estoques e controle de dívida mostrem recuperação. Redes de alimentos e farmácias, com demanda essencial e balanços robustos, despontam como exceções positivas.

Imagem: Internet
Empresas com caixa forte, baixa alavancagem e canais de venda bem integrados podem sair fortalecidas, seja pela captura de mercado de rivais fragilizadas, seja por fusões e aquisições estratégicas.
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Crédito da imagem: Steve Buissinne/Pixabay
