Meta é julgada nos EUA por vício em redes sociais
Meta é julgada nos EUA por vício em redes sociais
Meta redes sociais volta ao banco dos réus nesta quarta-feira (12), quando começa a escolha do júri em um tribunal federal de Oakland, Califórnia. Procuradores dos estados da Califórnia, Colorado, Kentucky e Nova Jersey acusam a controladora do Instagram e do Facebook de projetar suas plataformas para criar dependência em crianças e adolescentes.
O julgamento está marcado para iniciar em 18 de agosto e deve durar cerca de seis semanas, com veredicto consultivo estimado para o início de outubro. Os estados pedem mudanças profundas no funcionamento das redes para menores de idade e multas que podem alcançar US$ 1,4 trilhão – montante equivalente ao valor de mercado da companhia.
Mark Zuckerberg entre as testemunhas
Mark Zuckerberg, presidente-executivo da Meta, foi convocado a depor até o fim de setembro. Será a segunda vez em seis meses que ele enfrentará um júri; em março, seu testemunho em Los Angeles foi considerado “pouco convincente”.
Origem do processo
A ação deriva dos chamados “Arquivos do Facebook”, vazados em 2021 pela ex-funcionária Frances Haugen. Documentos internos revelaram que a própria empresa avaliava os impactos negativos do Instagram na saúde mental de adolescentes, apesar de negar danos publicamente. A revelação motivou uma investigação coletiva de dezenas de estados; quatro deles foram escolhidos para este primeiro embate federal.
Precedentes milionários
Em decisões recentes, júris de Los Angeles e do Novo México já condenaram a Meta a pagar, respectivamente, US$ 6 milhões e quase US$ 1 bilhão por danos ligados ao vício de jovens. A empresa recorre, alegando histórico de proteção a adolescentes e apontando que a saúde mental não pode ser atribuída “a um único aplicativo”.
Impacto potencial em outras plataformas
Especialistas veem o caso como marco para toda a indústria de tecnologia. TikTok, Snapchat e YouTube também enfrentam processos semelhantes movidos por famílias, escolas e procuradores. Segundo a agência Reuters, um revés para a Meta pode acelerar acordos coletivos, espelhando o que ocorreu com a indústria do tabaco nos anos 1990.

Imagem: Internet
Caso a Meta seja considerada responsável, a juíza Yvonne Gonzalez Rogers determinará sanções e ajustes técnicos nos aplicativos, inclusive sobre recursos como rolagem infinita e notificações noturnas, apontados como fatores de vício.
Quer acompanhar mais julgamentos que mexem com gigantes da tecnologia? Visite nossa editoria Tech e confira outras análises.
Crédito da imagem: Hollie Adams/Reuters
