Mercado financeiro reage a Flávio e pode virar rápido
Mercado financeiro brasileiro viveu um dia de euforia depois que Flávio Bolsonaro (PL) superou Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no primeiro turno presidencial, mas analistas advertiram que o clima pode ser passageiro caso não apareçam sinais claros de compromisso com o ajuste das contas públicas.
Salto da Bolsa e queda do dólar
Na sessão imediatamente posterior à apuração, o Ibovespa avançou mais de 7 %, rompeu 206 mil pontos e registrou novo recorde. O dólar cedeu mais de 4 % e fechou perto de R$ 5, na maior retração diária desde 2018. A leitura predominante foi a de que um eventual governo Flávio adotaria, em tese, políticas mais pró-equilíbrio fiscal, reduzindo a percepção de risco e as projeções de juros futuros.
Economistas pedem provas concretas
Consultado pelo g1, André Galhardo, economista-chefe da Análise Econômica, questionou “quanto dura um amor de verão” caso o candidato não apresente propostas viáveis para conter o avanço da dívida pública. Alexandre Schwartsman, ex-diretor do Banco Central, também manifestou ceticismo, lembrando que reformas como mudanças na Previdência e em benefícios sociais exigem elevado capital político.
Janela de tempo é curta
Especialistas, entre eles o ex-ministro da Fazenda Maílson da Nóbrega, afirmam que o próximo presidente precisará detalhar o rumo fiscal ainda na transição, sem esperar a posse. Caso contrário, o mercado pode rapidamente reverter a aposta, elevando dólar, juros e incerteza. Segundo dados do Banco Central, a dívida bruta já corresponde a 82,9 % do PIB, patamar que pressiona a inflação e encarece o crédito. Relatórios oficiais indicam trajetória ascendente do endividamento desde 2021.
Benefício da dúvida
Para parte dos investidores, o entusiasmo com Flávio decorre mais da percepção de que Lula priorizaria menos o ajuste fiscal do que de garantias dadas pelo senador. O programa do PL fala em “grande tesouraço” na máquina pública, mas não traz detalhes. Sem um cronograma factível, alertam os analistas, o “bônus” atual pode virar “ônus” rapidamente.

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Crédito da imagem: Arte/g1
