Inflação dos alimentos deve piorar, alerta ONU
Alimentos devem pesar ainda mais no bolso do consumidor nos próximos anos, segundo previsão da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO). O economista-chefe da entidade, Máximo Torero, disse à Reuters que a combinação de conflitos geopolíticos e eventos climáticos tende a elevar o preço das commodities agrícolas já em 2024, com impacto mais acentuado sobre a comida entre o fim de 2026 e todo o ano de 2027.
Conflitos e clima pressionam a oferta
Torero destacou três fatores principais para a nova onda de inflação: a guerra entre Irã e Israel, o conflito prolongado na Ucrânia e o El Niño, que deve ser especialmente intenso. Esses elementos reduzem safras, atrasam logística e criam incerteza sobre abastecimento. Embora trigo, milho e arroz tenham ficado mais caros nos últimos meses, os valores ainda refletem colheitas anteriores e não consideram totalmente as dificuldades previstas para o próximo ciclo agrícola.
Petróleo e fertilizantes em foco
O Estreito de Ormuz, rota por onde transita parcela relevante do petróleo e do gás natural mundiais, tornou-se ponto crítico. “O Brent é usado no bombeamento de água, nas embalagens, no processamento e no transporte. O gás natural é essencial para fertilizantes”, lembrou o economista. Ataques à infraestrutura de energia russa também reduziram a oferta global de diesel e gás, encarecendo dois insumos vitais para o campo.
Efeito dominó na produção global
Nos Estados Unidos, a American Farm Bureau Federation projeta que agricultores das nove principais culturas podem acumular perdas de US$ 32 bilhões em 2027 sem apoio federal, sinal de margens cada vez mais estreitas. Parte dos produtores já migrou do milho para a soja, que requer menos adubo. Na Austrália, o governo prevê queda de 21 % na produção de culturas de inverno, atribuída ao salto dos custos de combustível e fertilizante e à dúvida sobre a oferta desses produtos.
El Niño amplia risco de insegurança alimentar
O fenômeno climático altera regimes de chuva, reduz a produtividade e pode empurrar milhões de pessoas para a insegurança alimentar grave. Na Índia, as monções começaram atrasadas e tendem a ser mais fracas, ameaçando a produção de arroz e pressionando ainda mais as cotações globais.

Imagem: Internet
Analistas estimam que a alta nas commodities leve de três a seis meses para chegar às gôndolas. Se o cenário traçado pela FAO se confirmar, governos e consumidores terão de se preparar para preços mais altos e orçamento doméstico apertado a partir deste ano.
Quer saber como proteger seu orçamento diante desse cenário? Confira dicas na seção de Finanças e continue acompanhando nossa cobertura.
Crédito da imagem: Getty Image
