Cafeína: por que alguns ficam alerta e outros não sentem?
Cafeína é a substância psicoativa mais consumida do planeta, mas seus efeitos podem variar drasticamente de pessoa para pessoa. Enquanto alguns conseguem ingerir um expresso duplo à noite e adormecer logo depois, outros permanecem horas sem pregar os olhos. Especialistas explicam que fatores genéticos, hábitos e medicamentos determinam essa diferença.
A rota da cafeína no organismo
Depois de ingerida, a cafeína entra rapidamente na corrente sanguínea e alcança o cérebro, onde bloqueia a adenosina, molécula que induz o sono. Ao mesmo tempo, o fígado começa a metabolizar a substância com ajuda da enzima CYP1A2. Esse “processo de limpeza” pode durar de seis até 20 horas, intervalo que explica por que alguns ainda sentem o estímulo horas após a última xícara.
Genética pesa — e muito
Um único gene, o CYP1A2, determina a velocidade com que o fígado decompõe a cafeína. Pesquisas recentes indicam que europeus e sul-americanos tendem, em média, a metabolizar a molécula mais rápido, reduzindo seus efeitos. Quem herda a versão “lenta” do gene retém a substância por mais tempo, ficando suscetível a nervosismo, taquicardia e insônia mesmo com dose moderada.
Hábitos que aceleram — ou freiam — o metabolismo
Fumar pode aumentar em até 65% a velocidade de eliminação da cafeína, o que explica por que fumantes costumam beber mais café. Já pílulas anticoncepcionais, alguns antibióticos e a gravidez têm o efeito oposto: prolongam a presença da substância no corpo. Além disso, quem consome café diariamente desenvolve tolerância; ao interromper o hábito por poucas semanas, a sensibilidade retorna e a primeira xícara pode gerar agitação exagerada.
Quando parar de beber café?
Pesquisadores do sono sugerem evitar cafeína, no mínimo, seis horas antes de deitar. Para quem adormece às 22h, a recomendação prática é encerrar o consumo por volta das 14h. Mulheres grávidas devem limitar a ingestão a 200 mg diárias — cerca de duas xícaras de café coado. Para todos os demais, a palavra de ordem é moderação: a substância é considerada segura, mas o excesso provoca desconforto que o próprio organismo sinaliza.

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Estudos de longa duração relacionam o consumo moderado de café a menor risco de diversas doenças crônicas. Embora não se prove causa e efeito, as evidências são suficientes para que institutos de pesquisa, como a Harvard T.H. Chan School of Public Health, apontem possíveis benefícios cardiovasculares e metabólicos da bebida.
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