sábado, setembro 19, 2026
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Países europeus retiram ouro dos EUA por segurança

Países europeus retiram ouro dos EUA por segurança

Ouro dos EUA vem perdendo espaço nos cofres de vários bancos centrais europeus, que estão transferindo parte das reservas para pontos considerados mais seguros e líquidos, como Londres. O Banco Central da Holanda (DNB) enviou recentemente 86 toneladas do metal de Nova York para a capital britânica, justificando a medida pela “instabilidade geopolítica” e pela necessidade de acesso rápido em cenário de crise.

Cresce desconfiança com ativos nos EUA

A movimentação não é isolada. Entre julho de 2025 e janeiro de 2026, a França concluiu a retirada do remanescente de sua reserva de ouro mantida no Federal Reserve de Nova York. Parlamentares da Alemanha e da Itália, detentoras da segunda e terceira maiores reservas do mundo, pressionam para que parte do metal armazenado em território norte-americano seja repatriado ou levado a outros centros.

Analistas citam a imprevisibilidade das políticas dos Estados Unidos e a postura mais hostil em relação à União Europeia como gatilhos. Segundo a World Gold Council, confiscos são improváveis, mas a possibilidade de bloqueios temporários em disputas legais ou sanções faz os bancos centrais diversificarem jurisdições.

Liquidez de Londres atrai bancos centrais

Transferir ouro físico é caro e complexo, mas garante mobilidade. O Banco da Inglaterra guarda cerca de 400 mil barras, avaliadas em US$ 270 bilhões, e é visto como coração do mercado mundial do metal. Para o analista Sebastien Tillett, ter o ativo em um centro financeiro líquido “permite mobilização imediata em períodos de estresse”.

Gestão de reservas ganha importância

A busca por proteção fez as compras globais de ouro saltarem para uma média de 1.000 toneladas anuais nos últimos quatro anos, o dobro da década anterior. O metal se tornou escudo diante da crise financeira de 2008, das dívidas soberanas europeias, da pandemia e de conflitos recentes.

Além do ouro, outras classes de ativos americanos vêm sofrendo revisão. O fundo soberano da Noruega, de US$ 2,3 trilhões, anunciou redução drástica em títulos do Tesouro dos EUA por temores com endividamento e inflação.

As retiradas mostram que, embora o Federal Reserve de Nova York ainda custodie parte significativa do ouro europeu — mais de 1.000 toneladas alemãs permanecem lá —, a tendência é espalhar reservas para reduzir riscos e garantir liquidez imediata quando necessário.

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Crédito da imagem: CFOTO/picture alliance

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