Finlândia enfrenta crise fiscal e pode cortar serviços
Finlândia crise domina o debate político enquanto o país, líder do Relatório Mundial da Felicidade há nove anos, prepara o orçamento mais austero em décadas. Com a dívida pública chegando a 90,3% do PIB no 2º trimestre de 2026 — ante 65% antes da pandemia — o governo admite cortes profundos em serviços públicos, benefícios sociais e aposentadorias.
Endividamento recorde pressiona orçamento
A escalada da dívida começou com os gastos extras durante a covid-19 e foi acelerada após a adesão à Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) em 2023, que elevou as despesas de defesa. Somados, os investimentos em 64 caças F-35A e o aumento do orçamento militar para 3,2% do PIB agravam o déficit projetado em 4,2% do PIB para 2026.
União Europeia exige ajuste até 2028
Em janeiro, o Conselho da União Europeia abriu procedimento por déficit excessivo contra a Finlândia, dando prazo até o fim de 2028 para que o rombo volte a ficar abaixo de 3% do PIB. Segundo economistas do Banco da Finlândia, o próximo governo precisará economizar entre €8 bi e €11 bi, bem acima dos €9 bi já anunciados pelo premiê Petteri Orpo.
Cortes x aumento de impostos
Orpo, do Partido da Coalizão Nacional, descarta elevar tributos e defende ajustes concentrados em saúde, assistência social e regimes de previdência ligados ao emprego. Os social-democratas, por outro lado, pedem uma combinação de cortes e alta de impostos. Analistas alertam que somente um pacote misto garantirá a redução do déficit a 2% do PIB até 2031.
Impactos sociais iminentes
Com desemprego geral em 10,3% e juvenil em 23,3%, nova rodada de austeridade pode frear o consumo, alerta o Centro Finlandês de Nova Análise Econômica. Mais de 25% dos finlandeses trabalham no setor público; possíveis demissões aumentariam a poupança e reduziram ainda mais a demanda interna.

Imagem: Internet
Embora as agências de rating ainda mantenham a nota de crédito do país, a Comissão Europeia reforça que a confiança dos mercados depende de reformas rápidas, sobretudo diante da volatilidade dos preços de energia após a guerra no Irã.
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Crédito da imagem: Unsplash/Tapio Haaja
