Azeite em Gaza: colheita despenca após destruição
Azeite em Gaza enfrenta a pior safra em décadas, após a destruição de pomares pela ação de tratores e o bloqueio de tropas israelenses que restringe o acesso a dois terços da Faixa de Gaza. O agricultor Haidar Abu Middain, de 60 anos, relata que apenas 20 das antigas 900 oliveiras de sua família permanecem de pé, quantidade capaz de encher meros dois tambores de 16 litros de óleo — antes da guerra eram 900 tambores.
Queda drástica na produção
Dados do Ministério da Agricultura local apontam que, das 2 milhões de oliveiras existentes no território, restam cerca de 150 mil. O volume estimado de azeitonas caiu de 40 mil para 5 mil toneladas, reduzindo a produção de azeite de 5 mil para apenas 700 toneladas neste ano.
Mercado escasso e preços elevados
Nos mercados de Gaza, o barril de 16 litros chega a custar US$ 500 — valor três vezes maior que o praticado antes do conflito e inacessível para a maioria das famílias, segundo o morador Imad al-Ajrami. Ao todo, apenas sete prensas continuam operando, contra as 40 anteriores, informa Fawaz Zidan, proprietário de uma das poucas usinas ainda abertas.
Impacto social e cultural
Em Deir al-Balah, considerada “zona segura”, colheitas menores oferecem trabalho eventual a moradores como Ahmed Khader, de 38 anos, que agora se sente afortunado ao conseguir um único dia de serviço. Os olivais, além de sustento, eram também espaço de lazer para famílias em uma das áreas mais densamente povoadas do mundo.
Para entender o contexto internacional sobre a produção de azeite em zonas de conflito, a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) mantém relatórios atualizados (fa o.org).

Imagem: Internet
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Crédito da imagem: REUTERS/Mahmoud Issa
