Equilíbrio fiscal: aliados cobram Lula após ruídos
Equilíbrio fiscal voltou ao centro do debate em Brasília depois de especulações sobre possíveis mudanças na política econômica do quarto mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Integrantes da base aliada defendem que o chefe do Executivo utilize o pronunciamento previsto para esta semana, no qual comentará a vitória nas urnas, para reiterar compromisso com as contas públicas e afastar qualquer “mágica” que possa inquietar o mercado.
Ruídos sobre taxa de juros movimentam bastidores
No fim de semana, circulou a informação de que Lula receberia o economista André Lara Resende, um dos idealizadores do Plano Real, para discutir a redução da Selic a 7,5% ao ano e a criação de tetos simultâneos para inflação e juros. O encontro foi negado pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan, que também rechaçou qualquer revisão na estratégia econômica. Próximo a Lara Resende, o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, afirmou que não existe reunião agendada.
Equipe econômica reforça meta de superávit
Durigan informou que, em breve, apresentará ao presidente um pacote de medidas voltado a assegurar o alcance do centro da meta fiscal de 2025: superávit primário equivalente a 0,5% do Produto Interno Bruto. A proposta envolve um ajuste gradual ao longo de quatro anos para evitar cortes abruptos em despesas sociais, como o Bolsa Família e os benefícios concedidos a microempreendedores individuais.
Histórico influencia expectativas
Economistas próximos ao Palácio do Planalto lembram que, nos dois primeiros mandatos de Lula, o equilíbrio fiscal foi determinante para a queda dos juros e o aumento do crescimento. Já a tentativa de uma “nova matriz” econômica durante o governo Dilma Rousseff, marcada pela redução da Selic sem contrapartida de contenção de gastos, resultou em recessão e desemprego elevado, fragilizando a gestão petista.
Para investidores e agentes de mercado, a palavra do próprio presidente pode encerrar as incertezas criadas pelos rumores. Órgãos como o Banco Central acompanham de perto os sinais emitidos pelo Planalto, uma vez que a credibilidade fiscal tende a influenciar decisões sobre a política monetária.

Imagem: Valdo Cruz
Aliados avaliam que, se Lula repetir a defesa do ajuste fiscal bem-sucedido de seus mandatos anteriores, reforçará a confiança doméstica e internacional, preservando espaço para programas sociais e investimento público.
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Crédito da imagem: Washington Costa/MF

