Condomínio mais caro: taxa supera inflação no Brasil
Condomínio mais caro é a realidade de cerca de 40 milhões de brasileiros que vivem em prédios residenciais. Levantamento do Censo Condominial 2025/2026, da plataforma uCondo, mostra que a taxa média chegou a R$ 516 por mês e avançou 25% entre 2022 e 2025, variação superior ao Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) do mesmo período.
Conta do “segundo aluguel” aperta
Em alguns casos, o condomínio já representa até 40% do valor do aluguel, originando o apelido de “segundo aluguel”. Segundo especialistas, muitos compradores olham apenas o valor da prestação imobiliária e ignoram essa despesa, que pode comprometer o planejamento financeiro em um cenário de endividamento crescente.
Fatores que puxam a alta
O encarecimento decorre de vários itens operacionais. A escassez de mão de obra pressiona salários de porteiros, zeladores e equipes de limpeza. Elevadores, cuja manutenção é cara, também pesam. Além disso, novos empreendimentos exibem áreas de lazer completas, espaços para pets – presentes em mais de 53% dos lares – e infraestrutura para recarga de carros elétricos.
Análises da Fundação Getulio Vargas apontam que, diferentemente da Europa, onde portarias 24 h são raras, o modelo brasileiro concentra serviços de segurança e monitoramento, elevando custos. Dados semelhantes podem ser encontrados no site do IBGE, que monitora os principais índices de preços do país.
Inadimplência sobe
Com o avanço das despesas, a inadimplência passou de 9,72% no primeiro semestre de 2022 para 11,95% em 2025. O maior índice foi registrado no Rio Grande do Norte, com 32,83%. A falta de pagamento pode levar o imóvel a leilão, já que a dívida fica vinculada à unidade, e não ao CPF do proprietário.
Busca por redução de custos
Para equilibrar as contas, muitos condomínios substituíram porteiros por sistemas de portaria eletrônica; somente nos últimos anos, mais de 14 mil prédios adotaram a medida. A prática, contudo, levou o Tribunal Superior do Trabalho a determinar, em 2025, indenização de dez pisos salariais aos trabalhadores demitidos nessas circunstâncias. Em São Paulo, tramita projeto de lei que pretende restringir a portaria virtual em edifícios com mais de 30 unidades.

Imagem: Internet
Com taxas em ascensão, alguns moradores optam por prédios menores, sem piscina ou academia, enquanto outros adiam a compra do imóvel próprio para não assumir a combinação de prestação e condomínio.
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