Geração distribuída solar desafia sistema elétrico
Geração distribuída de energia, puxada por painéis solares em residências, comércios e áreas rurais, já reúne 4,6 milhões de unidades consumidoras no Brasil — cerca de 5 % do total. O rápido crescimento desse modelo renovável, porém, tem criado momentos de superoferta que ameaçam o equilíbrio instantâneo entre produção e consumo exigido pelo Sistema Interligado Nacional.
Expansão rápida impulsionada por incentivos
O Marco Legal da Geração Distribuída, sancionado em 2022, mantém benefícios até 2045 para quem solicitou conexão até janeiro de 2023. Para adesões posteriores, a lei estabelece cobrança gradual pelo uso da rede. Esses subsídios viabilizaram a transformação da matriz, mas transferem parte significativa dos custos à CDE, estimada pela Aneel em R$ 52,7 bilhões para 2026, dos quais R$ 47,8 bilhões virão das tarifas pagas pelos consumidores.
Medidas emergenciais do ONS
No domingo, 23, o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) determinou, pela segunda vez, o corte de aproximadamente 1 GW de geração entre 11h e 13h30 para evitar sobrecarga. A primeira ação similar ocorreu em junho. Mesmo reduzindo hidrelétricas e termelétricas ao mínimo, o excesso persiste em horários de alta irradiação solar e baixa demanda — sobretudo nos fins de semana.
Impactos financeiros
Estudo da consultoria Volt Robotics projeta que, em 2025, perdas provocadas por cortes de energia solar e eólica atinjam R$ 6,5 bilhões. Segundo Joisa Dutra, do Cebi/FGV, o cenário compromete o retorno de investimentos, podendo dificultar o cumprimento de obrigações assumidas pelos geradores.
Alternativas em avaliação
Para mitigar o descompasso futuro, o ONS analisa ampliar sistemas de armazenamento, reforçar linhas de transmissão e estimular cargas eletrointensivas, como data centers. A Associação Brasileira de Energia Eólica sugere tarifas horárias, restrição a novos acessos em áreas saturadas e expansão da demanda via mobilidade elétrica, eletrificação industrial e hidrogênio verde.

Imagem: Internet
Especialistas concordam que alinhar crescimento da geração distribuída com flexibilidade operacional será crucial para sustentar a transição energética sem onerar ainda mais o consumidor.
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Crédito da imagem: Reprodução/Jornal Nacional
