sábado, outubro 10, 2026
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China reforça Brasil na OMC, disputa contra tarifas dos EUA

China reforça Brasil na OMC, disputa contra tarifas dos EUA

China Brasil OMC formam agora um trinômio estratégico na batalha contra o tarifaço imposto por Washington. A entrada de Pequim como “terceira parte” nas consultas solicitadas pelo Brasil à Organização Mundial do Comércio (OMC) amplia o peso político do contencioso e sinaliza que o país de Xi Jinping pretende fortalecer mecanismos multilaterais frente ao unilateralismo americano.

Aliado de peso amplia poder de barganha

A professora Ana Garcia, da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, lembra que a China é hoje a maior potência comercial do planeta. Segundo ela, o apoio chinês “é mais do que simbólico: dá ao Brasil um parceiro com recursos para pressionar os EUA, caso as tarifas afetem diretamente os interesses de Pequim”.

Para Pablo Ibañez, pesquisador do Brics Policy Center, o movimento chinês endossa o argumento brasileiro de que as sobretaxas, amparadas na Seção 301 da legislação norte-americana, violam regras internacionais. Em julho, Brasília contestou duas medidas de Donald Trump que acrescentam 25% e 12,5% a diferentes produtos brasileiros.

Multilateralismo em xeque

O caso ocorre num momento de fragilidade da OMC. A entidade, criada em 1994, enfrenta bloqueios sucessivos em seu órgão de apelação, dificultando a execução de decisões. “Mesmo com vitória, é improvável que os EUA recuem apenas por determinação da OMC”, avalia Garcia.

A disputa também reflete um choque maior: Washington questiona a legitimidade de organismos multilaterais, enquanto Pequim busca ampliar sua influência neles. Relatório recente da OMC mostra que China e Brasil lideraram o aumento de tarifas médias durante o último mandato de Trump.

Riscos e oportunidades para o Brasil

Especialistas alertam que o suporte chinês não implica alinhamento automático. O governo brasileiro tenta equilibrar relações com as duas superpotências, mantendo laços comerciais robustos com Pequim — principal destino das exportações nacionais — sem abrir mão do mercado e dos investimentos norte-americanos.

Na prática, o processo de consulta pode se arrastar por anos. Ainda assim, ao optar pelo foro multilateral, o Brasil volta a sinalizar que prefere negociações coletivas a confrontos bilaterais.

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Crédito da imagem: Getty Images via BBC

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