China reforça Brasil na OMC, disputa contra tarifas dos EUA
China Brasil OMC formam agora um trinômio estratégico na batalha contra o tarifaço imposto por Washington. A entrada de Pequim como “terceira parte” nas consultas solicitadas pelo Brasil à Organização Mundial do Comércio (OMC) amplia o peso político do contencioso e sinaliza que o país de Xi Jinping pretende fortalecer mecanismos multilaterais frente ao unilateralismo americano.
Aliado de peso amplia poder de barganha
A professora Ana Garcia, da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, lembra que a China é hoje a maior potência comercial do planeta. Segundo ela, o apoio chinês “é mais do que simbólico: dá ao Brasil um parceiro com recursos para pressionar os EUA, caso as tarifas afetem diretamente os interesses de Pequim”.
Para Pablo Ibañez, pesquisador do Brics Policy Center, o movimento chinês endossa o argumento brasileiro de que as sobretaxas, amparadas na Seção 301 da legislação norte-americana, violam regras internacionais. Em julho, Brasília contestou duas medidas de Donald Trump que acrescentam 25% e 12,5% a diferentes produtos brasileiros.
Multilateralismo em xeque
O caso ocorre num momento de fragilidade da OMC. A entidade, criada em 1994, enfrenta bloqueios sucessivos em seu órgão de apelação, dificultando a execução de decisões. “Mesmo com vitória, é improvável que os EUA recuem apenas por determinação da OMC”, avalia Garcia.
A disputa também reflete um choque maior: Washington questiona a legitimidade de organismos multilaterais, enquanto Pequim busca ampliar sua influência neles. Relatório recente da OMC mostra que China e Brasil lideraram o aumento de tarifas médias durante o último mandato de Trump.
Riscos e oportunidades para o Brasil
Especialistas alertam que o suporte chinês não implica alinhamento automático. O governo brasileiro tenta equilibrar relações com as duas superpotências, mantendo laços comerciais robustos com Pequim — principal destino das exportações nacionais — sem abrir mão do mercado e dos investimentos norte-americanos.

Imagem: Internet
Na prática, o processo de consulta pode se arrastar por anos. Ainda assim, ao optar pelo foro multilateral, o Brasil volta a sinalizar que prefere negociações coletivas a confrontos bilaterais.
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Crédito da imagem: Getty Images via BBC
