Ueno Bank: crise bancária derruba presidente paraguaio
Ueno Bank detonou uma onda política sem precedentes no Paraguai após sua liquidação em novembro, culminando no impeachment e na prisão do presidente Santiago Peña. O banco, que concentrava cerca de 9,1% dos depósitos do país e atendia 3 milhões de clientes – quase 60% da população adulta –, entrou em colapso sob suspeitas de má gestão e uso indevido de recursos públicos.
Relações perigosas entre finanças e poder
A queda de Peña ganhou força porque o ex-mandatário foi acionista do Grupo Vázquez, controlador do Ueno, até março de 2025. Além disso, o ex-presidente do Banco Central paraguaio, Carlos Carvallo Spalding, havia comandado a instituição antes de assumir o cargo regulador, levantando dúvidas sobre a fiscalização. Segundo o Banco Central do Paraguai, empréstimos considerados excessivos ao próprio grupo controlador agravaram a situação de liquidez do Ueno.
Comparação com o escândalo do Banco Master
Especialistas enxergam paralelos entre o caso paraguaio e o do Banco Master, investigado no Brasil. Ambos cresceram rapidamente, mantinham forte proximidade com a classe política e administravam volumes expressivos de recursos previdenciários. No Paraguai, o Ueno geria US$ 850 milhões em fundos públicos, enquanto regimes próprios de previdência brasileiros aplicaram cerca de R$ 1,8 bilhão em títulos do Master.
A diferença central é a escala: o Master detinha 0,55% das captações do sistema financeiro brasileiro, ao passo que o Ueno alcançou uma fatia capaz de paralisar pagamentos cotidianos quando seus ativos (US$ 3,75 bilhões) foram congelados. Filas em agências, protestos nas ruas e contas bloqueadas pressionaram o Congresso, que votou pelo afastamento imediato de Peña.
Prisões e investigação em curso
Além de Peña, seis ex-dirigentes do banco, entre eles o fundador Federico Vázquez, estão presos preventivamente sob acusações de abuso de confiança e tentativa de fraude. Outras duas ex-diretoras cumprem prisão domiciliar. A Justiça paraguaia avalia relatos de que a autoridade monetária teria sido leniente mesmo após sinais de problemas desde junho.

Imagem: Internet
Impacto político no Partido Colorado
Analistas recordam que Peña já enfrentava fissuras internas no tradicional Partido Colorado. A perda de apoio do líder Horacio Cartes, somada às derrotas em Asunción e Ciudad del Este nas eleições municipais, acelerou sua saída do cargo. O vice-presidente Pedro Alliana assumiu prometendo restabelecer a confiança no sistema bancário.
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Crédito da imagem: Bloomberg via Getty Images, via BBC

