Tarifas de Trump: 25 Estados dos EUA processam governo
Tarifas de Trump de até 12,5% sobre produtos de 59 países, incluindo Brasil, China, Reino Unido e União Europeia, levaram 25 Estados norte-americanos a ingressar com um processo federal contra a Casa Branca em 3 de agosto de 2026.
A ação, liderada por Califórnia e Nova York, acusa o governo de Donald Trump de agir de maneira “arbitrária, impulsiva e contrária à lei”. O grupo sustenta que o Executivo se valeu da Seção 301 da Lei de Comércio de 1974 apenas como pretexto para um “esquema ilegal de tarifas” que, na prática, onera famílias e empresas dos próprios Estados Unidos.
Argumentos do governo e reação internacional
De acordo com o porta-voz da Casa Branca, Kush Desai, Washington está “usando sua autoridade legal” para combater a entrada de produtos fabricados com trabalho forçado, prática considerada “inaceitável”. As novas tarifas abrangem 99,4% das importações americanas, segundo o Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR).
Governos afetados reagiram de imediato. Em nota, o Brasil classificou a medida como “arbitrária” e “injustificada”. Japão e China também condenaram a decisão; Pequim disse tratar-se de “desculpa para manipulação política”.
Impacto econômico e histórico recente
Especialistas divergem sobre a eficácia da medida. O professor Alex Capri, da Universidade Nacional de Singapura, avalia que faltam provas sólidas de que os países citados prejudicaram indústrias norte-americanas via trabalho forçado. Ele prevê “exceções e recuos” que podem reduzir o alcance das tarifas.
A disputa marca a continuidade da política comercial agressiva retomada por Trump ao voltar ao cargo em janeiro de 2025. Grande parte das tarifas anunciadas no “Dia da Libertação”, em abril de 2025, já havia sido derrubada pela Suprema Corte, que ordenou o reembolso de bilhões de dólares a empresas importadoras.
Próximos passos na Justiça
O processo movido pelos Estados deve representar o maior teste jurídico à nova rodada tarifária. Para a governadora de Nova York, Kathy Hochul, as taxas funcionam “como imposto sobre as famílias trabalhadoras”. Já o procurador-geral do Oregon, Dan Rayfield, afirma que “todos estão pagando o preço, não os governos estrangeiros”.

Imagem: Internet
Analistas projetam que a disputa possa levar meses, ou até anos, antes de um veredicto definitivo. Enquanto isso, o USTR mantém investigações contra 16 países por suposta produção excedente, sinalizando que novas tarifas continuam no horizonte.
Segundo a BBC, casos semelhantes no passado resultaram em acordos parciais e redução gradual de sobretaxas segundo a BBC.
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Crédito da imagem: REUTERS/Evelyn Hockstein
