sábado, outubro 10, 2026
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Tarifaço dos EUA: Brasil mantém negociações, diz Alckmin

Tarifaço dos EUA: Brasil mantém negociações, diz Alckmin

Tarifaço dos EUA continua em pauta, mas o vice-presidente Geraldo Alckmin assegurou nesta segunda-feira (31) que o Brasil permanecerá na mesa de negociação com Washington. A declaração foi feita no Macro Day, evento do BTG Pactual em São Paulo, horas antes de videoconferência agendada entre autoridades dos dois países.

Segundo Alckmin, a orientação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva é manter o diálogo aberto para discutir “todos os temas tarifários e não tarifários”. Participam da reunião os ministros Márcio Elias Rosa (Desenvolvimento, Indústria e Comércio) e Mauro Vieira (Relações Exteriores), além de assessores do Palácio do Planalto.

Agenda inclui projeto Redata e investimentos

Entre os assuntos, o governo brasileiro pretende defender o projeto Redata, que estimula a instalação de data centers no país e pode atrair até R$ 1 trilhão em investimentos, aproveitando a oferta de energia renovável. “Não há tema proibido; buscamos um acordo de ganha-ganha”, afirmou o vice-presidente.

Alckmin classificou como “injusta” a elevação das tarifas impostas pelos Estados Unidos. Ele destacou que produtos norte-americanos pagam, em média, 3,1% de imposto para entrar no Brasil, enquanto 76% das mercadorias dos EUA chegam ao mercado brasileiro com tarifa zero.

Fluxo comercial e impacto inicial

Apesar de a China liderar o comércio total com o Brasil, os EUA permanecem como principal destino das exportações de manufaturados e maior investidor estrangeiro, com cerca de 4 mil empresas no país. Em julho, a balança comercial brasileira registrou superávit de US$ 7,1 bilhões, alta de 1% sobre julho de 2025, de acordo com o MDIC. No mesmo período, as exportações para os EUA recuaram 5%, somando US$ 3,6 bilhões, mas o governo considera prematuro atribuir a queda ao tarifaço de 25%, em vigor desde 29 de julho.

Para fundamentar sua posição, Brasília também observa experiências internacionais e relatórios da Organização Mundial do Comércio, que apontam os riscos de barreiras tarifárias prolongadas sobre cadeias globais.

No acumulado do ano, o saldo comercial brasileiro alcançou US$ 49 bilhões, crescimento de 31,9% ante igual período de 2024, reforçando a importância de preservar mercados estratégicos como o norte-americano.

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Crédito da imagem: Cadu Gomes/VPR

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