Smart Sampa: vazamento expõe 58 mil câmeras em SP
Smart Sampa, sistema de reconhecimento facial da Prefeitura de São Paulo, teve 181 logins e senhas expostos na internet por 11 meses, permitindo acesso irrestrito a imagens de 58 mil câmeras distribuídas pela capital paulista. A falha foi revelada pelo portal UOL e levantou preocupações sobre privacidade e segurança de dados de milhões de cidadãos monitorados.
Como funcionava o acesso indevido
As credenciais vazadas pertenciam à plataforma da empresa Sentinelx, integrante do consórcio que opera o Smart Sampa. Com elas, qualquer pessoa poderia consultar gravações, aplicar filtros de busca por características físicas — como “camiseta branca” — e receber alertas em tempo real. Segundo especialistas, a exposição facilitava o rastreamento de rotinas e a eventual perseguição de indivíduos.
Prefeitura responsabiliza servidor
O prefeito Ricardo Nunes (MDB) afirmou que um agente da Guarda Civil Metropolitana, incorporado em 2023, teria divulgado os dados ilegalmente. O servidor foi afastado e é investigado pela Corregedoria da GCM. A administração municipal nega falha estrutural no sistema e garante que “não houve uso indevido detectado”, embora o repositório comprometido já tenha sido removido e senhas exclusivas com autenticação em dois fatores tenham sido implementadas.
Impacto na proteção de dados
Para o Centro de Estudos de Segurança e Cidadania (CESeC), o episódio evidencia riscos de “vigilância massiva sem controles adequados”. Fernanda Rodrigues, do Instituto IRIS, afirma que a proliferação de câmeras não garante mais segurança, mas amplia vulnerabilidades. O advogado Luiz Augusto D’Urso lembra que a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) estabelece a responsabilidade direta do controlador dos dados — neste caso, a prefeitura — por incidentes de vazamento, como detalha a Autoridade Nacional de Proteção de Dados.
Medidas de contenção anunciadas
Além de reforçar senhas e adotar autenticação em dois fatores, o Executivo paulistano promete auditoria contínua e revisão dos perfis de acesso. Não há previsão de suspensão do monitoramento, que, segundo a Secretaria Municipal de Segurança Urbana, continua alimentando o “prisômetro” — painel que soma mais de mil prisões efetuadas com auxílio das câmeras até abril de 2025.

Imagem: Internet
O vazamento reacende o debate sobre equilíbrio entre segurança pública e privacidade. Acompanhe outros temas de tecnologia e proteção de dados na editoria Tech do nosso portal clicando aqui.
Crédito da imagem: Divulgação/Sentinelx
