Safra de laranja cresce em SP, mas preço cai 53% na safra
Safra de laranja no interior de São Paulo apresenta produtividade maior em 2026, porém a remuneração do produtor desabou devido à queda no consumo de suco, que encolheu entre 30% e 40% nos últimos três anos, segundo a CitrusBR.
Produtividade dobra, mas sobra fruta nos pomares
Em Olímpia, o citricultor Lucas Ferrantes Fonseca espera colher 30 mil caixas de laranja-pêra-rio, o dobro do ano passado. Mesmo assim, após dois meses de colheita ele comercializou menos da metade do volume. O custo para produzir cada caixa chega a R$ 35, mas o mercado paga apenas R$ 22, causando prejuízo direto.
Consumo menor pressiona preço interno
A retração do mercado de suco também se reflete no valor da fruta in natura. Em Guaraci, a caixa de 40 kg de laranja-valência, que já alcançou R$ 70, hoje sai por R$ 33 — recuo de 53%. Para reduzir perdas, o produtor José Humberto Gazoni começou a substituir parte dos 12 mil pés de laranja por mamoeiros, buscando renda alternativa.
Calor, greening e menor demanda internacional
O Fundecitrus aponta queda de 12,9% na produção conjunta de São Paulo e Triângulo Mineiro, ou 38 milhões de caixas a menos, em razão das altas temperaturas na estiagem e do avanço da doença greening. Apesar desse recuo regional, o preço internacional do suco segue elevado, o que contrai a procura e mantém estoques de fruta sem destino industrial.
Enquanto isso, produtores relatam que a dependência da indústria persiste: mesmo com o suco mais caro, a menor demanda global limita compras de laranja para processamento, agravando a pressão sobre os pomares.

Imagem: Internet
O cenário leva citricultores experientes, como Gazoni, há 55 anos na atividade, a apostar na continuidade da cultura, mas diversificando cultivos para enfrentar a volatilidade de preços.
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Crédito da imagem: TV TEM
