Raízen fecha acordo bilionário com União e reduz dívida
Raízen acordo firmado com a União vai renegociar R$ 22,4 bilhões em tributos devidos por empresas do grupo, aliviando a pressão sobre o caixa da companhia de energia e açúcar-etanol. O acerto, divulgado nesta quarta-feira (28), foi costurado com a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) e a Receita Federal.
Desconto pesado em multas e juros
Do total negociado, R$ 16,7 bilhões estavam diretamente sob responsabilidade da Raízen. Com a adesão ao programa de regularização, a empresa obteve desconto de R$ 8,5 bilhões em multas e juros, reduzindo sua fatia para R$ 8,2 bilhões. Os outros R$ 5,7 bilhões permanecem ligados aos acionistas controladores, conforme as regras fiscais vigentes.
Créditos fiscais amortizam maior parte do débito
Para quitar a nova cifra, a companhia recorrerá a R$ 5,7 bilhões em créditos fiscais resultantes de prejuízos acumulados, mecanismo previsto na legislação que permite abater impostos a pagar. Os créditos serão compensados diretamente no passivo, restando R$ 2,5 bilhões que serão desembolsados à vista.
Reestruturação financeira mais ampla
O acordo tributário se insere no plano de reestruturação que a Raízen colocou em marcha após pedir recuperação extrajudicial em março. Naquele processo, já homologado pela Justiça de São Paulo, a empresa negocia cerca de R$ 61,4 bilhões em obrigações financeiras com bancos e investidores, inclusive a possibilidade de converter parte da dívida em participação acionária e vender ativos.
Apesar de distintos, os dois movimentos – renegociação com credores privados e acerto com o Fisco – são complementares para estabilizar o balanço. No fim de dezembro de 2025, a dívida líquida atingia R$ 55,3 bilhões, impulsionada por investimentos pesados, impacto climático nas safras de cana-de-açúcar e juros elevados. No mesmo período, a companhia registrou prejuízo de R$ 15,6 bilhões, dos quais R$ 11,1 bilhões se referem a baixas contábeis.

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Próximos passos
O comunicado não detalhou como os controladores quitarão sua parcela de R$ 5,7 bilhões. A conclusão do acordo com a União é considerada condição essencial para a execução integral do plano de recuperação e para atrair novas fontes de capital.
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