domingo, outubro 25, 2026
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Modelo econômico de Milei agita debate eleitoral brasileiro

Modelo econômico de Milei agita debate eleitoral brasileiro

Modelo econômico de Milei entrou de vez na campanha presidencial brasileira, servindo de exemplo positivo para Flávio Bolsonaro (PL) e de alerta social para Lula (PT). O presidente argentino, eleito em 2023, prometeu reorganizar as contas públicas com o chamado Plano Motosserra, que cortou subsídios, reduziu ministérios e desvalorizou o peso.

Resultados macroeconômicos na Argentina

Três anos após a posse, a Argentina passou a arrecadar mais do que gasta, a inflação recuou de 211,4% em 2023 para 31,5% em 2025 e o PIB avançou 4,4% em 2025. O índice S&P Merval saltou quase 115% em dólares em 2024, animando investidores, como mostrou a agência Reuters.

Custo social pressiona Milei

O ajuste severo também elevou a pobreza novamente a um terço da população, fechou mais de 32 mil empresas e levou o desemprego a 7,9%, maior patamar desde 2021. Protestos de estudantes e trabalhadores se multiplicam, enquanto pesquisas indicam desaprovação de 58% ao governo, chegando a quase 70% entre os mais pobres.

Polarização no Brasil

Em visita ao lançamento da campanha de Flávio Bolsonaro, Milei foi saudado como exemplo de “corte na própria carne do Estado”. A equipe econômica do candidato promete um “tesouraço” semelhante para enxugar gastos e reduzir impostos, mas sem detalhar quais áreas sofreriam cortes.

Lula, por sua vez, explora os impactos sociais argentinos em peças de campanha que associam o adversário à flexibilização trabalhista e ao avanço da pobreza. Durante debate televisivo, o petista questionou se Flávio adotaria no Brasil medidas parecidas, mas não obteve resposta direta.

Especialistas veem limites à ‘motosserra’ aqui

Analistas ouvidos indicam que o Brasil possui reservas internacionais robustas, baixa dolarização e sistema institucional que reduz a probabilidade de um choque fiscal abrupto. Para Jimena Zuniga, da Bloomberg Economics, “o Brasil não toleraria eliminar o déficit de um dia para o outro”. O consenso aponta para ajuste gradual, com reformas que controlem a dívida — hoje em 82,9% do PIB — sem causar ruptura no emprego e na renda.

Com o “efeito Milei”, a discussão sobre equilíbrio fiscal ganhou centralidade no pleito brasileiro e obrigou os candidatos a detalhar seus planos para dívida, gastos e crescimento.

Quer saber como reformas econômicas podem afetar seu bolso? Acompanhe nossa editoria e leia mais em Finanças.

Crédito da imagem: Reuters

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