Irmãos Batista voltam ao topo após Lava Jato
Irmãos Batista passaram de ícones da Operação Lava Jato a figuras centrais na diplomacia econômica brasileira. Após confessarem o pagamento de US$ 200 milhões em propinas e verem a JBS multada em US$ 3,2 bilhões, Wesley e Joesley Batista, hoje com fortunas de US$ 5,7 bilhões cada, recuperaram espaço nos negócios e na política.
Da ascensão meteórica à queda
A trajetória começou com o pai, José Batista Sobrinho, que abriu um açougue em Anápolis (GO) em 1953. A empresa familiar, renomeada Friboi e depois JBS, cresceu comprando frigoríficos locais e, a partir de 2005, iniciou aquisições globais financiadas em parte pelo BNDES. Em 2007, a compra da americana Swift & Co. transformou a JBS na maior processadora de carne do planeta.
O apetite de aquisições, porém, expôs práticas ilícitas. Em 2017, delações dos irmãos detalharam pagamentos a quase 1,9 mil políticos, incluindo três presidentes. O acordo garantiu imunidade, mas gravações enviadas por engano ao Ministério Público Federal levaram ambos à prisão preventiva por suposto insider trading.
Reação do mercado e retomada de poder
Mesmo com os controladores atrás das grades, a empresa não encolheu. Impulsionada pela demanda chinesa, a JBS registrou salto de 116 % no lucro brasileiro em 2019. Com a pandemia, a Justiça suspendeu restrições a cargos executivos e, em 2024, Wesley e Joesley retornaram formalmente ao conselho.
Em 2025, a abertura de capital em Nova York finalmente saiu do papel, dois dias após a subsidiária Pilgrim’s Pride doar US$ 5 milhões ao comitê de posse de Donald Trump. A estreia causou valorização imediata de US$ 200 milhões nas fortunas individuais dos empresários.
Pendências socioambientais persistem
Apesar da bonança, a companhia segue envolvida em controvérsias. Investigações nos EUA revelaram trabalho infantil em fábricas terceirizadas, gerando multa de US$ 4 milhões. No Brasil, a JBS voltou a ser autuada em 2024 por compra de gado de áreas desmatadas na Amazônia e enfrenta ação do Procurador-Geral de Nova York por supostamente descumprir metas de emissões zero.
Influência política renovada
A presença de Wesley e Joesley ao lado do presidente Lula em eventos oficiais confirma a volta ao centro do poder. Internacionalmente, Joesley participou de encontros na Casa Branca e foi apontado como articulador da remoção de tarifas norte-americanas sobre produtos brasileiros, reforçando a percepção de que o grupo tornou-se “grande demais para cair”.

Imagem: Internet
Para especialistas ouvidos pela BBC, o caso exemplifica como conglomerados globais podem sobreviver a escândalos quando controlam cadeias estratégicas de suprimento alimentar.
No balanço, a saga dos Batista mostra que, mesmo após confissões de corrupção e período na prisão, a combinação de capital robusto, rede política e mercado aquecido de proteína animal permitiu uma reviravolta inédita.
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Crédito da imagem: BBC/ Getty images
