EUA barram China em disputa com Brasil na OMC
EUA barram China em consultas solicitadas pelo Brasil na Organização Mundial do Comércio (OMC) para discutir as tarifas impostas por Washington a produtos brasileiros. A delegação norte-americana comunicou oficialmente, nesta terça-feira (22), que nega a entrada de Pequim no processo, por considerar que a controvérsia não envolve políticas ou mercadorias chinesas.
No documento entregue à OMC, os Estados Unidos afirmam que o pleito brasileiro é “estritamente bilateral” e, portanto, não confere à China o “interesse comercial substancial” exigido pelo artigo 4.11 do Entendimento sobre Solução de Controvérsias. O dispositivo permite a participação de terceiros apenas quando o país acusado reconhece relevância econômica direta, condição rejeitada por Washington.
A tentativa chinesa ocorreu em 6 de agosto. Naquela data, Pequim sustentou que uma das medidas tarifárias questionadas pelo Brasil também atinge seus exportadores. Sem a anuência dos EUA, porém, a China fica fora da mesa de negociação inicial.
Embora a OMC esteja com poder de execução limitado, Brasília busca reforçar a importância das regras multilaterais de comércio ao formalizar a queixa. Analistas veem a iniciativa como um gesto político que mantém aberta uma via oficial de diálogo com os norte-americanos e consolida a posição brasileira no registro internacional.
As consultas entre Brasil e Estados Unidos estão agendadas para sexta-feira (25), em Genebra. Se não houver entendimento, o governo brasileiro poderá solicitar a instalação de um painel para examinar a legalidade das tarifas. Esse é o próximo passo regulamentar dentro do sistema de solução de controvérsias da Organização Mundial do Comércio.

Imagem: Internet
Ao impedir a participação chinesa, Washington sinaliza que pretende tratar o tema de forma circunscrita, evitando ampliar a disputa para um conflito trilateral que poderia fortalecer alianças contra as tarifas americanas.
Quer acompanhar mais análises sobre comércio exterior? Visite nossa editoria de Finanças e continue informado.
Crédito da imagem: Jornal Nacional/ Reprodução
