Endividamento de risco atinge 20,3 mi de brasileiros
Endividamento de risco já alcança 20,3 milhões de brasileiros, o equivalente a 17% dos devedores do Sistema Financeiro Nacional (SFN), segundo o Relatório de Estabilidade Financeira divulgado pelo Banco Central em 27 de junho de 2026. O total representa alta de 75% em apenas cinco anos.
Critérios que definem o risco
Para ser enquadrado nessa categoria, o Banco Central considera a combinação de pelo menos dois dos seguintes fatores:
- Inadimplência superior a 90 dias;
- Mais de 50% da renda mensal comprometida com dívidas;
- Renda remanescente abaixo da linha da pobreza após o pagamento dos débitos;
- Uso simultâneo de cheque especial, crédito pessoal sem consignação e crédito rotativo.
Baixa renda sente o maior impacto
Entre os que ganham até dois salários mínimos, o serviço da dívida consome 42% da renda mensal; somente o cartão de crédito responde por 15% desse peso. Esse grupo reúne 61,2 milhões de tomadores e recorre, em grande parte, a modalidades de crédito de alto custo.
No extremo oposto, quem recebe acima de dez salários mínimos destina 18,6% da renda às dívidas, com predominância de financiamentos imobiliários e de veículos. Há ainda 22,3 milhões de tomadores na faixa de dois a cinco salários mínimos e 7,5 milhões entre cinco e dez salários.
Trajetória ascendente desde 2021
A proporção de endividados de risco passou de 9,7% em junho de 2021 para 13,1% em 2022, 13,8% em 2023 e 13,4% em 2024, chegando agora a 17%. A tendência confirma uma escalada que preocupa a autoridade monetária.
Oferta digital de crédito em debate
O relatório alerta que a oferta frequente de empréstimos por aplicativos e sites estimula contratações impulsivas, sobretudo entre consumidores de menor renda. Pesquisa citada indica que esse público recebe, em média, nove propostas de crédito online por mês. O Banco Central estuda medidas para mitigar riscos nessa modalidade.

Imagem: Internet
Consignado privado sob pressão
A linha Crédito do Trabalhador, criada para o consignado de empregados do setor privado, registrou saldo inadimplente de R$ 6,1 bilhões em junho de 2026. Parte do problema decorre de demissões, mas há casos de tomadores que voltaram ao mercado formal e mantiveram parcelas em atraso.
O avanço do endividamento de risco demonstra a necessidade de educação financeira e de políticas de crédito mais responsáveis. Para aprofundar-se em questões de finanças pessoais e encontrar dicas de planejamento, visite nossa editoria de Finanças e continue informado.
Crédito da imagem: g1
