Dia D econômico de Trump desafia Irã e acirra tensão
Dia D econômico foi o termo escolhido pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para definir o pacote de sanções anunciado na quarta-feira (19) contra o Irã. O mandatário classificou a ofensiva como a “operação econômica mais esmagadora” já imposta a um país e avisou que qualquer nação que ajude Teerã a manter a economia ativa “enfrentará consequências enormes”.
No dia seguinte, o vice-ministro iraniano das Relações Exteriores, Abbas Araqchi, reagiu. Segundo ele, a iniciativa norte-americana é uma manobra para desviar a atenção dos “sérios problemas internos” dos EUA e resultará em “mais derrota” para Washington. Araqchi afirmou ainda que pressões adicionais “fracassarão”, ecoando a postura de resistência mantida por Teerã desde a retomada das sanções, em 2018.
Ameaças a parceiros comerciais
Trump não detalhou como pretende punir países que continuarem a negociar com o Irã. Entretanto, alertou que atividades como contrabando de petróleo, registros de navios e transferências financeiras terão de cessar “agora”. A ameaça atinge diretamente grandes compradores do petróleo iraniano, como China e Índia, bem como aliados dos EUA, entre eles Alemanha, Coreia do Sul e Japão.
Rede de comércio ativa
Apesar de sucessivas sanções, o Irã mantém extensos laços comerciais. Dados do Banco Mundial indicam que, em 2022, o país exportou para 147 mercados diferentes. A China lidera, com US$ 22 bilhões em compras, seguida pela Índia. A permanência dessa rede levanta dúvidas sobre a eficácia de um bloqueio total, apontam especialistas ouvidos pela agência Reuters.
Impacto no Brasil
O Irã não figura entre os 20 maiores parceiros do Brasil, mas é destino relevante para commodities como milho, soja e açúcar. Em 2025, as exportações brasileiras somaram US$ 2,9 bilhões, enquanto as importações — ureia, pistache e uvas secas — alcançaram US$ 84,5 milhões, conforme o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.

Imagem: Internet
Com o “Dia D econômico” em curso, analistas avaliam que embarques agrícolas podem enfrentar atrasos logísticos ou custos extras, caso transportadoras temam represálias norte-americanas.
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Crédito da imagem: Ken Cedeno/Reuters
