Deepfake em eleições: 6 casos globais alertam TSE
Deepfake em eleições volta ao centro do debate brasileiro enquanto o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) tenta definir punições para o uso de inteligência artificial durante a campanha que começa neste mês. A reunião marcada para 13 de junho foi adiada, mas o tema ganhou urgência após a equipe de Flávio Bolsonaro exibir um vídeo do ex-presidente Jair Bolsonaro gerado por IA na convenção partidária.
O pesquisador Sam Stockwell, do Instituto Alan Turing, avalia que não há prova de que deepfakes mudem resultados, mas alerta para o “efeito corrosivo” sobre a confiança pública. Seis eleições recentes reforçam a preocupação.
1. Irlanda (2025)
A três dias da votação, um vídeo falso mostrava a candidata Catherine Connolly anunciando desistência em um cenário que imitava a RTÉ News. A campanha reagiu rápido, e Connolly venceu com 63% dos votos, mas o caso demonstrou como a credibilidade de veículos tradicionais pode ser sequestrada.
2. Equador (2025)
Montagens que pareciam transmissões da CNN e da Deutsche Welle acusaram Daniel Noboa e Luisa González de corrupção e aumento de impostos. Apesar da checagem de fatos, o estudo da Universidade ULEAM detectou queda na confiança dos eleitores em veículos de verificação.
3. Alemanha (2025)
Vídeos manipulados espalharam supostas ameaças terroristas, usando imagens reais da polícia britânica e do MI6 com áudios sintéticos. O objetivo, segundo Stockwell, era desencorajar o comparecimento às urnas em regiões mais vulneráveis a narrativas de guerra.
4. Eslováquia (2023)
Um áudio de baixa qualidade atribuía ao candidato liberal Michal Šimečka planos de fraude eleitoral. A gravação circulou no período de silêncio, dificultando a resposta da mídia. O partido ficou em segundo lugar, e o caso foi chamado de “primeira eleição manipulada por deepfake”.
5. Romênia (2025)
Golpistas usaram vídeos de IA com vozes de George Simion e Nicușor Dan para vender um falso investimento que prometia renda passiva. Os links redirecionavam para páginas clonadas de portais oficiais, mostrando que a tecnologia também serve a fraudes financeiras.

Imagem: Internet
6. Paquistão (2024)
Preso por condenações de corrupção, o ex-premiê Imran Khan divulgou um vídeo gerado por IA declarando vitória de candidatos independentes. A mensagem inflou protestos de rua e aumentou a tensão política até a formação de um governo de coalizão.
Os episódios ilustram que, mais do que alterar votos, deepfakes semeiam dúvida sobre a legitimidade do processo democrático. Especialistas defendem regras claras, transparência das plataformas e alfabetização midiática para reduzir o impacto.
Em relatório recente, a BBC reforçou que países com alta polarização e baixa confiança institucional são terreno fértil para vídeos sintéticos. No Brasil, a definição do TSE será observada de perto como possível modelo internacional.
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Crédito da imagem: G1
