Crise econômica no Irã encarece alimentos e remédios
Crise econômica no Irã vem tirando das famílias o acesso a itens básicos, enquanto sanções dos Estados Unidos elevam preços e reduzem salários, segundo relatos compilados pela Associated Press (AP).
Sanções americanas agravam cenário
Desde que Washington anunciou a “operação econômica mais esmagadora” contra Teerã, a moeda iraniana perdeu valor e o desemprego disparou. O presidente norte-americano, Donald Trump, afirmou que pretende “isolar” o país e ameaçou punir nações que continuem a negociar com o governo iraniano.
Quase seis meses após o início da ofensiva, o bloqueio às exportações de petróleo — principal fonte de receita de Teerã — estrangulou as contas públicas e aprofundou a crise.
Inflação recorde e corte no consumo doméstico
Com o poder de compra em queda, famílias relatam jornadas de trabalho mais longas para garantir o mínimo. O taxista Ahmad Karimi, 52 anos, disse à AP que tem dirigido 15 horas diárias e ainda assim cortou frutas, proteínas e lazer do orçamento.
Numa postagem recente na rede X, uma moradora do norte do país exibiu sacolas contendo leite, ovos, papel higiênico e outros itens básicos — tudo sem carne. A compra custou 89 milhões de riais, cerca de US$ 65 (R$ 337).
Segundo comerciantes, o arroz subiu 60% e a carne bovina encareceu 150% desde o começo das sanções. A única exceção é a gasolina, fortemente subsidiada.
Projeções do FMI e resistência iraniana
O Fundo Monetário Internacional prevê inflação próxima de 70% e retração econômica superior a 5% até o fim do ano. Apesar disso, especialistas citados pela AP observam que o Irã adquiriu experiência em contornar restrições comerciais, evitando um colapso total.

Imagem: Internet
Para Hadi Kahalzadeh, economista da Universidade Brandeis, a resiliência interna impede que o sofrimento econômico se converta em pressão política capaz de satisfazer as expectativas de Washington.
Em meio ao encarecimento de alimentos e remédios, um iraniano de 41 anos resumiu a nova rotina: “Comprar itens de primeira necessidade virou nossa prioridade, e a cesta de compras ficou menor”.
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Crédito da imagem: AP / Vahid Salemi
