Assédio eleitoral: veja práticas mais comuns no trabalho
Assédio eleitoral: veja práticas mais comuns no trabalho
Assédio eleitoral tem aparecido com frequência recorde nos tribunais trabalhistas brasileiros, segundo pesquisa inédita do Tribunal Superior do Trabalho (TST). Desde 2023, o Painel Nacional de Monitoramento do Assédio Eleitoral registrou 738 processos, enquanto o Ministério Público do Trabalho recebeu 3.370 denúncias só na eleição de 2022.
Terror psicológico lidera queixas
O levantamento qualitativo do TST, que analisou 138 processos de todas as regiões, identificou o terror psicológico em 81,9% dos casos. As narrativas alarmistas incluem ameaças de fechamento de empresas, cortes de salário e até colapso social caso determinado candidato seja eleito.
Pressão econômica e assédio institucional
A pesquisa mostra que 61,6% das ações relatam pressão econômica, com ameaças de demissão, redução salarial ou perda de benefícios para quem não seguir a orientação política da empresa. Em 92% dos processos há evidências de assédio institucional, ou seja, a prática parte da cultura organizacional e conta com o aval da alta administração.
Ferramentas digitais impulsionam denúncias
O ambiente virtual aparece em 67,4% dos processos. O TST aponta o WhatsApp como principal via de coação: criação de grupos de propaganda, envio obrigatório de mensagens políticas e exigência de exibição de “santinhos” no status pessoal são recorrentes. Monitoramento das redes sociais e fiscalização do posicionamento político dos empregados completam o cenário.
Justiça reforça monitoramento e punições
Com a Resolução CSJT nº 355, o assédio eleitoral ganhou classificação própria no sistema judicial em 2023. Desde então, juízes devem comunicar indícios de assédio ao Ministério Público do Trabalho e ao Ministério Público Eleitoral. A Justiça pode ordenar retirada imediata de conteúdos irregulares, criação de canais de denúncia internos e aplicação de multas diárias em caso de descumprimento.

Imagem: assédio moral no trabalho
São Paulo, Paraná, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro e Santa Catarina concentram 56,3% das ações. A maioria é proposta por pessoas físicas (644 dos 738 processos), sinalizando que os trabalhadores ainda recorrem individualmente para interromper a prática.
Quer saber mais sobre direitos no ambiente corporativo? Visite nossa editoria de Carreiras e acompanhe outras análises.
Crédito da imagem: Marcelo Camargo/Agência Brasil
