Promessas de Lula e Flávio desafiam Orçamento
Promessas de Lula e Flávio para aliviar o bolso do eleitor e estimular a economia esbarram em um Orçamento já comprometido por despesas obrigatórias que somam 90% dos gastos previstos para 2027, segundo dados do Tesouro Nacional.
Dívida próxima de R$ 11,1 trilhões pressiona contas públicas
A dívida bruta do País atinge 82,9% do PIB, o equivalente a quase dez meses de toda a produção nacional. Economistas ouvidos apontam que qualquer nova despesa precisa indicar fonte de receita para evitar o avanço desse percentual.
Planos para renegociar dívidas geram dúvidas
Flávio Bolsonaro (PL) propõe que a Caixa Econômica Federal compre dívidas de consumidores e empresas e as renegocie com prazos mais longos. Já Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sancionou lei que perdoa R$ 12,6 bi de débitos de microempreendedores individuais e incluiu essa categoria no Desenrola 3.0, estimado em R$ 6 bi.
Para Murilo Viana, mestre em economia pela Unicamp, transferir dívidas privadas para o setor público “representa um risco fiscal expressivo”. Daniel Duque, do FGV Ibre, alerta que expectativas de novos programas podem inibir o pagamento espontâneo de dívidas.
Cortes de gastos x aumento de receitas
A equipe de Flávio fala em cortar 1,5% do PIB em despesas e fazer um “tesouraço”, mas ainda não detalhou quais rubricas seriam atingidas. Ricardo Hammoud, do FGV Ibre, lembra que grande parte do Orçamento está engessada por leis e pela Constituição, o que torna cortes profundos politicamente complexos.
Lula, por sua vez, prevê ampliar o Bolsa Família, manter a valorização do salário mínimo e retomar investimentos públicos. Hammoud critica a estratégia: “A conta depende de arrecadação recorde; sem controle de gastos, a dívida segue crescendo”.
Tributação em debate
Flávio promete rever pontos da reforma tributária, reinstalar o programa Perse para o setor de eventos e acabar com o split payment. Especialistas, porém, ressaltam que a renúncia fiscal pode comprometer ainda mais as receitas. Já Lula ampliou o limite de faturamento do MEI para R$ 140 mil até 2028, medida bem recebida, mas sem estimativa clara de impacto.

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Segundo estudo da Secretaria do Tesouro Nacional, cada ponto percentual de aumento nos juros eleva a despesa anual com a dívida em aproximadamente R$ 35 bi, o que reduz espaço para novas isenções ou subsídios.
Quem paga a conta?
Especialistas convergem em um ponto: sem detalhamento de cortes, aumento de receitas ou reformas estruturais, as propostas de ambos os candidatos correm o risco de agravar o desequilíbrio fiscal e limitar futuros investimentos.
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