Modelo econômico de Milei agita debate eleitoral brasileiro
Modelo econômico de Milei entrou de vez na campanha presidencial brasileira, servindo de exemplo positivo para Flávio Bolsonaro (PL) e de alerta social para Lula (PT). O presidente argentino, eleito em 2023, prometeu reorganizar as contas públicas com o chamado Plano Motosserra, que cortou subsídios, reduziu ministérios e desvalorizou o peso.
Resultados macroeconômicos na Argentina
Três anos após a posse, a Argentina passou a arrecadar mais do que gasta, a inflação recuou de 211,4% em 2023 para 31,5% em 2025 e o PIB avançou 4,4% em 2025. O índice S&P Merval saltou quase 115% em dólares em 2024, animando investidores, como mostrou a agência Reuters.
Custo social pressiona Milei
O ajuste severo também elevou a pobreza novamente a um terço da população, fechou mais de 32 mil empresas e levou o desemprego a 7,9%, maior patamar desde 2021. Protestos de estudantes e trabalhadores se multiplicam, enquanto pesquisas indicam desaprovação de 58% ao governo, chegando a quase 70% entre os mais pobres.
Polarização no Brasil
Em visita ao lançamento da campanha de Flávio Bolsonaro, Milei foi saudado como exemplo de “corte na própria carne do Estado”. A equipe econômica do candidato promete um “tesouraço” semelhante para enxugar gastos e reduzir impostos, mas sem detalhar quais áreas sofreriam cortes.
Lula, por sua vez, explora os impactos sociais argentinos em peças de campanha que associam o adversário à flexibilização trabalhista e ao avanço da pobreza. Durante debate televisivo, o petista questionou se Flávio adotaria no Brasil medidas parecidas, mas não obteve resposta direta.
Especialistas veem limites à ‘motosserra’ aqui
Analistas ouvidos indicam que o Brasil possui reservas internacionais robustas, baixa dolarização e sistema institucional que reduz a probabilidade de um choque fiscal abrupto. Para Jimena Zuniga, da Bloomberg Economics, “o Brasil não toleraria eliminar o déficit de um dia para o outro”. O consenso aponta para ajuste gradual, com reformas que controlem a dívida — hoje em 82,9% do PIB — sem causar ruptura no emprego e na renda.

Imagem: Internet
Com o “efeito Milei”, a discussão sobre equilíbrio fiscal ganhou centralidade no pleito brasileiro e obrigou os candidatos a detalhar seus planos para dívida, gastos e crescimento.
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Crédito da imagem: Reuters
