Preço do café cai e poder de compra de adubo encolhe
Preço do café em queda obrigou o produtor brasileiro a destinar quase 20% a mais de grãos em setembro para adquirir a mesma quantidade de fertilizantes que comprava em agosto, segundo levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq/USP).
Poder de compra despenca 19,4%
Com base no Indicador Cepea/Esalq do café arábica e nos valores médios dos insumos em São Paulo, o estudo aponta que o cafeicultor precisou de 19,4% mais sacas para custear a primeira adubação da safra 2027/28. Em 2023, o arábica chegou a R$ 2.700 a saca; neste ano, opera em torno de R$ 1.600. Já o robusta gira perto de R$ 990, reforçando a perda de poder de compra no interior paulista e no Sul de Minas, principais polos produtores.
Clima úmido e El Niño no radar
Um inverno atipicamente chuvoso beneficiou o desenvolvimento inicial das lavouras, mas o fenômeno El Niño pode alterar esse cenário nos próximos meses. A depender da intensidade das chuvas na florada, a produção 2027/28 pode sofrer cortes, influenciando as cotações globais. De acordo com o Cepea, o mercado continua dependente do volume brasileiro, sobretudo diante da bienalidade baixa prevista para o próximo ciclo.
Qualidade dos grãos ameaçada
As precipitações excessivas de julho afetaram cerca de 30% da colheita 2026/27, elevando o risco de defeitos sensoriais. Especialistas alertam que lotes expostos à umidade podem apresentar sabores acéticos ou adstringentes, reduzindo o valor de exportação. Caso o índice de grãos com bebida comprometida se confirme, a oferta de cafés finos ficará restrita, limitando quedas adicionais de preços.
Planejamento antecipado
Mesmo após aplicar a primeira dose de adubo, produtores já programam nova compra até o fim do ano, mirando a segunda adubação. Com a relação de troca desfavorável, estratégias de compra conjunta e travas de preço ganham força para mitigar custos.

Imagem: Internet
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Crédito da imagem: Globo Rural/TV Globo
