Agronegócio cobra ações do próximo presidente
Agronegócio brasileiro chega às eleições pressionando o futuro governo a resolver gargalos que travam competitividade e crescimento do setor, apontam especialistas e a Associação Brasileira do Agronegócio (Abag).
Financiamento e seguro rural mais acessíveis
Juros altos, endividamento crescente e apenas 3% da produção coberta por seguro expõem os produtores ao risco climático. Pesquisadores da FGV e do Insper defendem a rápida implementação do novo marco regulatório do seguro rural – já sancionado – e a criação de um Fundo Nacional de Catástrofes Climáticas para baratear prêmios e ampliar a cobertura.
Insumos estratégicos e tecnologia
A dependência de fertilizantes importados, hoje em torno de 80%, coloca o país em situação frágil diante de conflitos externos. O Plano Nacional de Fertilizantes busca reduzir essa vulnerabilidade, mas terá efeito de longo prazo. Para ganhos rápidos, analistas recomendam diversificar fornecedores e simplificar a aprovação de novas tecnologias, sem abrir mão do rigor ambiental.
Infraestrutura e conectividade
Produção recorde esbarra em estradas precárias, baixa capacidade de armazenamento e falta de integração de modais. Concessões, parcerias público-privadas e licenciamento ambiental mais ágil são citados como caminhos para destravar obras. No campo digital, mais de 1,3 milhão de domicílios rurais seguem sem internet, o que limita a adoção de agricultura de precisão.
Imagem e comunicação institucional
O setor reconhece a necessidade de uma política permanente de comunicação que destaque sustentabilidade, inovação e segurança alimentar, ao mesmo tempo em que lide com críticas sobre desmatamento. Países como Colômbia, com o café, mostram a força de uma marca bem trabalhada no exterior.
Mercado externo e acordos comerciais
Com vendas concentradas em poucos destinos, o agronegócio pede ao governo maior protagonismo em negociações, sobretudo com a China. Acordos de longo prazo trariam previsibilidade a investimentos privados e ajudariam o país a antecipar exigências sanitárias e ambientais impostas por compradores internacionais, segundo o relatório da FAO.

Imagem: Internet
As cinco frentes definidas pela Abag — crédito, insumos, infraestrutura, comunicação e inserção internacional — demandam continuidade de Estado e participação ativa do setor privado para que possam avançar além de um único mandato presidencial.
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Crédito da imagem: MELQUIZEDEQUE ALMEIDA via Pexels
