Stellantis admite erro ao prever avanço chinês nos elétricos
Stellantis admite erro estratégico ao avaliar a rapidez com que a eletrificação ganharia força e abrir espaço para as montadoras chinesas, declarou Herlander Zola, presidente da companhia na América do Sul, em entrevista nesta terça-feira (6).
Ocidentais subestimaram velocidade da eletrificação
Segundo Zola, a indústria automotiva ocidental tinha consciência de que o futuro seria eletrificado, mas calculou mal o ritmo. “A participação das marcas chinesas no Brasil saltou de 9% em 2023 para 17% em 2024 e já ultrapassou 25% no último mês. Essa aceleração ninguém previa”, afirmou.
Fatores que favoreceram as montadoras chinesas
O executivo aponta três pontos principais:
- Durante a pandemia, fabricantes priorizaram gargalos logísticos e deixaram pesquisa em segundo plano.
- Marcas ocidentais terceirizaram etapas da cadeia; as chinesas, ao contrário, verticalizaram a produção, ganhando competitividade.
- Com custos menores de aço, plástico e outros insumos na China, o preço final dos veículos importados ficou mais atraente.
Modelo SKD e CKD pressiona produção local
Dados da Anfavea mostram que 406,7 mil veículos foram importados pelo Brasil nos oito primeiros meses de 2024, alta de 29,8% sobre 2023. Mais da metade (221 mil) veio da China, grande parte em sistemas SKD ou CKD, em que os carros chegam desmontados e são montados aqui, reduzindo custos tributários. Zola alerta que, se adotasse o mesmo modelo, a Stellantis poderia operar com apenas 10% da atual força de trabalho de 35 mil funcionários.
Previsibilidade regulatória é decisiva
Para o executivo, a discussão sobre tarifa de importação é urgente. “Sem regras claras, fica impossível planejar investimentos que fortaleçam fornecedores locais”, disse. A companhia aposta em reduzir custos de forma “inteligente”, sem retirar conteúdo dos veículos, e acelerar o lançamento de versões 100% elétricas, híbridas plug-in (PHEV) e híbridas plenas (HEV) para neutralizar a vantagem chinesa.

Imagem: Internet
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Crédito da imagem: Divulgação/Stellantis
