Fechamento de empresas na Argentina se acelera sob Milei
Fechamento de empresas na Argentina se acelera sob Milei
Fechamento de empresas tornou-se expressão recorrente na Argentina desde a posse de Javier Milei. Levantamento do Centro de Economia Política Argentina (Cepa) indica que 31.342 companhias — cerca de 6% do total — encerraram as atividades entre dezembro de 2023 e junho de 2024, a maior parte pequenas e médias.
Crescimento desigual expõe “duas economias”
Embora o Produto Interno Bruto tenha avançado 2,2% no primeiro semestre e a inflação anual tenha despencado de 211% para 33,5%, o dinamismo está concentrado em mineração, energia, agro e setor financeiro. Comércio e indústria, responsáveis por boa parte do emprego formal, enfrentam retração severa com queda do consumo interno e maior concorrência de importados.
Principais fatores do colapso empresarial
Especialistas ouvidos pela imprensa apontam combinação de baixa renda real, tarifas de serviços básicos mais altas, juros elevados e câmbio valorizado. A abertura comercial, defendida pelo governo, amplia a pressão sobre fabricantes locais, incapazes de competir em preço com produtos estrangeiros.
De acordo com Hernán Letcher, diretor do Cepa, “o bolo encolheu e precisa ser dividido com novos concorrentes que importam”. Já o economista Miguel Boggiano argumenta que muitas das empresas fechadas tinham um ou dois empregados e viviam de subsídios, reforçando que a atual administração busca uma “transformação estrutural”.
Impacto social
O desemprego se mantém em 8%, mas analistas alertam que o trabalho formal encolhe enquanto atividades informais crescem. Milei reconhece essa mudança: “Há contração no setor formal e expansão no informal; o resultado líquido é positivo”. Entretanto, a pobreza atinge um em cada três argentinos e a inadimplência chega a 33% dos tomadores de crédito.
Perspectivas
O governo aposta em megaprojetos de gás, petróleo e lítio para gerar divisas e estabilizar a macroeconomia. No curto prazo, porém, economistas temem nova onda de fechamentos quando o aumento do imposto sobre combustíveis entrar em vigor em outubro.

Imagem: Internet
Para entender como políticas semelhantes afetam empreendedores em outros países, confira reportagem da BBC.
Se você se interessa por análises econômicas e dicas para driblar momentos de crise, visite também nossa editoria de Finanças e acompanhe nossas atualizações.
Crédito da imagem: Mariana Nedelcu / Reuters
