sexta-feira, outubro 9, 2026
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TikTok é usado para vender abuso sexual infantil no Telegram

TikTok é usado para vender abuso sexual infantil no Telegram

TikTok vem sendo explorado por redes criminosas que anunciam, nos comentários de vídeos, pacotes de conteúdo de abuso sexual infantil vendidos no Telegram. Levantamento do g1 monitorou mais de 30 perfis por semanas e identificou ao menos 35 links que redirecionam interessados a bots, chats privados ou miniaplicativos dentro do mensageiro russo, onde fotos e vídeos ilegais custam a partir de R$ 10.

Como funciona o esquema de divulgação

Os golpistas publicam vídeos aparentemente inofensivos — de gatos dançando a montagens feitas com inteligência artificial — apenas para atrair audiência. Nos comentários, códigos em espanhol e português indicam o caminho até canais do Telegram. Para driblar filtros da rede social chinesa, as mensagens evitam termos explícitos e usam expressões cifradas acompanhadas de links com a palavra “invite”.

Ao clicar, o usuário é levado a páginas que exibem prévias do material ou a conversas diretas com os vendedores. Alguns canais oferecem amostras gratuitas para “provar” a autenticidade do conteúdo e incentivar a compra.

Pagamentos em PIX e criptomoedas

No Telegram, o comércio se organiza de três formas principais: por meio de bots automatizados, chats privados com os criminosos ou miniapps que funcionam como lojas internas. Pacotes de 3 GB a 15 GB são anunciados entre R$ 10 e R$ 35 via PIX; valores em dólar aparecem entre US$ 11,99 e US$ 25 quando o pagamento é feito em bitcoin ou ether. Apesar da sensação de anonimato, a Polícia Federal lembra que transações PIX deixam rastros que facilitam investigações.

Plataformas sob pressão e legislação mais rígida

O Telegram afirma ter removido mais de 300 mil grupos relacionados ao tema apenas em 2026 e garante varrer todos os arquivos públicos com banco de dados de hashes. O TikTok diz banir as contas “em minutos” e reportar casos ao NCMEC. Especialistas lembram que, desde agosto, a lei brasileira prevê até 10 anos de prisão para quem produz ou comercializa esse tipo de material, classificando-o como “violência sexual contra criança ou adolescente”.

Organizações como a SaferNet Brasil colaboram com plataformas e autoridades, enviando listas de termos e perfis suspeitos. O 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública aponta crescimento de 23 % nos registros de posse ou distribuição desse conteúdo em 2025, reforçando a urgência de respostas coordenadas.

Como denunciar

Casos de emergência devem ser comunicados pelo 190 (Polícia Militar) ou 192 (Samu). Denúncias anônimas podem ser feitas no Disque 100, WhatsApp (61) 99656-5008 do Ministério dos Direitos Humanos ou diretamente em delegacias, conselhos tutelares e Ministério Público.

Para saber mais sobre segurança digital e proteger sua família, leia também nosso conteúdo em segurança & tecnologia e continue acompanhando nossas atualizações.

Crédito da imagem: Reprodução/G1

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