Prejuízo dos Correios soma R$ 5,6 bi no 1º semestre
Prejuízo dos Correios chegou a R$ 5,6 bilhões entre janeiro e junho de 2026, segundo demonstrações financeiras divulgadas neste sábado (29). O resultado negativo mantém a estatal no décimo sexto trimestre consecutivo de perdas, embora o déficit do segundo trimestre tenha sido menor que nos dois períodos anteriores, sinalizando leve melhora no caixa.
Nova dívida de R$ 7 bilhões em negociação
Nas notas explicativas, a Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos informou estar em “estágio avançado” de negociação de um empréstimo de aproximadamente R$ 7 bilhões. A União atuará como fiadora da operação, ainda sem detalhes de prazos ou taxas. Paralelamente, o governo federal assumiu o compromisso de aportar R$ 6 bilhões até o fim de 2027 para reforçar o capital da companhia.
Receitas caem, mas logística dobra
De janeiro a junho, a receita líquida caiu R$ 320 milhões frente ao mesmo período de 2025, totalizando R$ 7,87 bilhões. Mesmo assim, o segmento de fulfillment logístico – que cuida de recebimento, preparação e envio de pedidos para empresas – quase dobrou, passando de R$ 205 milhões para R$ 423 milhões.
Já as encomendas internacionais despencaram de R$ 815 milhões para R$ 355 milhões, refletindo o programa Remessa Conforme, que desde 2023 cobra 20 % de imposto de importação em compras de até US$ 50, medida que ficou conhecida como “taxa das blusinhas”.
Despesas financeiras pressionam resultado
As despesas totais cresceram R$ 972 milhões, somando R$ 12,4 bilhões. O principal vilão foram os custos financeiros, que subiram 161 % e atingiram R$ 1,7 bilhão, impulsionados pelos juros dos R$ 12 bilhões tomados no fim de 2025. Os gastos com provisões para perdas judiciais chegaram a R$ 1,3 bilhão.
Por outro lado, despesas com pessoal recuaram: salários consumiram R$ 5,2 bilhões, 20 milhões a menos que em 2025, e benefícios como saúde e previdência diminuíram R$ 260 milhões.

Imagem: Internet
Especialistas ouvidos pela BBC News Brasil avaliam que a combinação de novos empréstimos e aporte da União pode dar fôlego de curto prazo, mas alertam para a necessidade de reestruturação operacional que contenha o crescimento das despesas financeiras.
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Crédito da imagem: Jornal Nacional/ Reprodução
