Ibovespa em queda prolongada testa pior série desde 2023
Ibovespa em queda por 11 pregões consecutivos acendeu o alerta no mercado: a sequência negativa, que começou no início de agosto, é a mais longa desde 2023 e pode igualar – ou superar – o recorde de 13 sessões daquele ano caso o movimento persista nos próximos dias.
Fuga de capital estrangeiro atinge recorde em 2026
Até 13 de agosto, investidores de fora retiraram R$ 15,63 bilhões da B3, a maior saída mensal desde 2022. O valor, que já supera o fluxo negativo de maio (R$ 13,28 bilhões), coloca 2026 como o ano com as duas maiores retiradas mensais de toda a série. A debandada pressiona a oferta de ações: com mais vendedores do que compradores, os preços caem e o índice recua.
Juros, incerteza fiscal e cenário eleitoral pesam
A expectativa de cortes menos intensos na Selic mudou rapidamente. Analistas destacam que a inflação resistente, o conflito no Oriente Médio e as dúvidas sobre as contas públicas diminuíram o espaço para uma redução mais agressiva da taxa básica. Juros elevados tornam aplicações de renda fixa mais atraentes e encarecem o crédito, afastando recursos da renda variável.
Além disso, a proximidade da eleição presidencial de outubro elevou o prêmio de risco exigido pelos investidores. A falta de clareza sobre futuros planos fiscais e monetários alimenta a cautela, segundo Beny Fard, da Segundo Minuto.
Tensões geopolíticas reforçam busca por segurança
No exterior, a escalada dos conflitos entre Estados Unidos e Irã intensificou o chamado flight to quality, impulsionando dólar, ouro e Treasuries. Esse movimento global reduz o apetite por ativos arriscados em emergentes como o Brasil. Como lembra a consultora Isabel Abreu, o recente “tarifaço” imposto por Washington ao país também deteriorou o humor dos investidores.
Para acompanhar dados atualizados do mercado, a própria B3 disponibiliza estatísticas diárias sobre fluxo de capital e desempenho dos índices.

Imagem: Internet
Setores mais afetados e a proteção das commodities
Varejo, consumo discricionário e bancos estão entre os mais penalizados pela combinação de juros altos, inadimplência crescente e menor poder de compra. Já Petrobras e Vale funcionam como amortecedores: expostas a petróleo, minério de ferro e dólar, sofrem menos com a desaceleração doméstica.
Há espaço para novas perdas?
Embora boa parte dos riscos já pareça precificada, analistas como Matheus Spiess, da Empiricus, apontam três variáveis decisivas até o fim do ano: indicadores de inflação e atividade, evolução do quadro fiscal-político e desdobramentos no Oriente Médio. Caso o cenário piore, o Ibovespa ainda pode ceder. Por outro lado, a valorização acumulada de 3,79% em 2026 e a queda de 6,55% só em agosto tornaram diversas ações mais baratas, o que pode abrir oportunidades se a Selic voltar a recuar.
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Crédito da imagem: Divulgação/B3
