sábado, outubro 10, 2026
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Meta ignorou segurança infantil, diz ex-diretor em julgamento

Meta ignorou segurança infantil, diz ex-diretor em julgamento

Segurança infantil foi relegada a segundo plano na Meta Platforms, segundo depoimento do ex-diretor de engenharia Arturo Bejar, ouvido nesta quarta-feira (19) no tribunal federal de Oakland, Califórnia. O executivo responsabilizou o CEO Mark Zuckerberg por criar uma cultura corporativa que favorecia crescimento e rentabilidade, deixando a proteção de crianças que usam Facebook e Instagram em segundo plano.

Depoimento aponta decisões centralizadas em Zuckerberg

Bejar, que trabalhou na empresa de 2009 a 2015 e voltou como consultor entre 2019 e 2021, relatou que mudanças nos produtos só avançavam com a aprovação direta do CEO. “Se Mark prioriza algo, montanhas se movem em poucos meses”, afirmou. Ele disse que metas de engajamento e usuários ativos diários eram os indicadores centrais nas avaliações de desempenho, eclipsando preocupações de segurança.

Estados acusam Meta de incentivar uso compulsivo

Quatro estados — Califórnia, Colorado, Kentucky e Nova Jersey — lideram a ação que alega que as plataformas foram projetadas para estimular o uso excessivo por jovens, contribuindo para ansiedade, depressão e pensamentos suicidas. Outros 25 estados aderiram, acusando a Meta de violar leis federais ao coletar dados de menores de 13 anos.

Ferramentas de proteção teriam sido “projetadas para falhar”

Segundo Bejar, o recurso que incentiva pausas no aplicativo não vem ativado por padrão e é facilmente ignorado, ilustrando a baixa prioridade dada à segurança. Ele acrescentou que a empresa dispunha de tecnologia capaz de identificar usuários abaixo da idade mínima, mas optou por não exigir verificações adicionais, adotando uma postura de “não pergunte, não conte” por motivos financeiros.

Julgação histórico pode definir rumos das redes sociais

Especialistas consideram este processo o maior teste jurídico já feito sobre o impacto das redes sociais em jovens. A Meta nega as acusações e sustenta que as declarações de Bejar extrapolam seu escopo profissional. O julgamento deve durar cerca de seis semanas, e a expectativa é que Zuckerberg também seja chamado a depor, conforme noticiado pela The New York Times.

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Crédito da imagem: AFP

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