sábado, outubro 10, 2026
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Presenteísmo: brasileiros trabalham doentes e sofrem riscos

Presenteísmo: brasileiros trabalham doentes e sofrem riscos

Presenteísmo ganhou força no mercado de trabalho brasileiro: cada vez mais profissionais permanecem na rotina mesmo sem condições físicas ou mentais adequadas, ignorando recomendações médicas e ampliando os riscos de acidentes, queda de produtividade e agravamento de doenças.

Fenômeno alimentado por medo e sobrecarga

Levantamento da Heach Recursos Humanos revela que 70,3 % dos entrevistados já foram ao trabalho quando deveriam descansar. O principal motivo (35,4 %) foi o receio de sobrecarregar colegas; outros 27,9 % minimizaram a gravidade do próprio quadro de saúde. A pesquisa ainda aponta que 39,7 % viram a doença piorar e 32 % demoraram mais para se recuperar.

O Censo de Saúde Mental 2025, da plataforma Vittude, confirma a tendência ao apontar índice de presenteísmo de 32 % nas empresas analisadas. Já a Pluxee identificou que apenas 40 % dos trabalhadores conseguem fazer pausas regulares durante a jornada, enquanto dois em cada dez não interrompem o serviço em momento algum.

Impactos diretos na saúde e no bolso das empresas

Para o médico do trabalho Ricardo Pacheco, presidente da Associação Brasileira de Empresas de Segurança e Saúde no Trabalho (Abresst), o fenômeno é “corpo presente, mente ausente”. Segundo ele, febre, dores intensas ou uso de medicamentos reduzem reflexos e concentração, aumentando o risco de erros, especialmente em setores como transporte, indústria e agronegócio.

Pacheco afirma que o custo do presenteísmo pode superar o do absenteísmo, pois além de retrabalho e acidentes, há a possibilidade de disseminação de doenças entre colegas. Estudo citado pelo especialista indica que trabalhadores doentes conectados em home office durante a pandemia impulsionaram o chamado “presenteísmo digital”.

Isadora Gabriel, diretora de RH da Flash, alerta que o desengajamento provocado pelo esgotamento emocional reduz eficiência e amplia afastamentos posteriores. Ela defende investimento em programas de saúde mental e treinamento de lideranças para reconhecer sinais de exaustão. A Organização Mundial da Saúde reforça esse posicionamento ao listar a síndrome de burnout como condição ocupacional desde 2022 (who.int).

O que diz a legislação trabalhista

Segundo a advogada Elisa Alonso, da RCA Advogados, o empregador que permite ou exige trabalho durante o período de atestado pode ser responsabilizado judicialmente. A aptidão para o retorno é decisão médica, e pressionar o empregado a antecipar a volta pode caracterizar assédio ou gerar indenizações. Documentar recomendações de profissionais de saúde e comunicações da empresa é fundamental para eventuais ações na Justiça do Trabalho.

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Imagem: que tantos profissiais ctinuam traba

Mudança cultural é o caminho

Casos como o do gerente André Cabral, que voltou ao expediente quatro dias após sair da UTI por Covid-19 e adiou uma cirurgia de hérnia para não se ausentar, expõem a necessidade de rever prioridades corporativas. Hoje, em um novo emprego com carga horária menor, ele resume a lição: “Nenhum CNPJ vale o nosso CPF”.

Empresas que fomentam pausas, valorizam a recuperação e criam políticas claras de afastamento preservam a saúde dos times e reduzem perdas financeiras. Já os profissionais devem reconhecer limites e buscar apoio médico sempre que necessário.

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Crédito da imagem: Arte g1

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