sábado, outubro 10, 2026
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Miami supera Nova York e vira capital dos ultrarricos

Miami supera Nova York e vira capital dos ultrarricos

Impulso da pandemia e benefícios fiscais

Miami ultrarricos tornou-se expressão comum desde a pandemia, quando o estado da Flórida flexibilizou rapidamente as restrições sanitárias e reforçou seu principal atrativo: a ausência de imposto estadual. Esse conjunto de fatores atraiu magnatas que deixaram centros tradicionais como Nova York, Califórnia e Illinois em busca de clima ameno, liberdade de circulação e, sobretudo, vantagens fiscais.

Empresários como Peter Thiel, Ken Griffin e a dupla Larry Page e Sergey Brin seguiram o mesmo caminho, criando um efeito dominó. “Quando líderes de peso se mudam, outros observam e copiam”, resumiu o repórter E. B. Solomont, em entrevista ao serviço em espanhol da BBC.

Mansões que batem recordes sucessivos

O sinal mais visível dessa migração são os preços das chamadas “casas-troféu”. Em março, Mark Zuckerberg comprou por US$ 170 milhões a mansão mais cara já vendida em Miami, localizada na ilha privada Indian Creek. O recorde pode cair em breve: o corretor John Devaney pede US$ 237 milhões por sua residência em Key Biscayne, cenário do clássico “Scarface”.

De acordo com Mayi De la Vega, fundadora da One Sotheby’s International Realty, apenas em 2025 as vendas de imóveis acima de US$ 60 milhões somaram US$ 517 milhões. Endereços como North Bay Road, onde vivem Shakira e o casal Beckham, concentram cerca de US$ 1,7 bilhão em patrimônio imobiliário, enquanto Indian Creek segue liderando os preços com lotes que chegam a US$ 200 milhões.

Escalada de custos para o morador comum

A valorização no topo do mercado pressiona toda a pirâmide. Dados de 2024 do Escritório de Estatísticas dos EUA indicam que o custo de vida na chamada Costa Dourada — Miami, Ft. Lauderdale e Palm Beach — já é 5% maior que na área metropolitana de Nova York. Desde 2019, os preços ao consumidor no sul da Flórida subiram 36%, e o seguro residencial anual da região é o mais caro do país.

Ainda assim, corretores afirmam que o segmento de ultraluxo não dá sinais de arrefecimento. Enquanto a parcela 0,1% da população mundial multiplica seu patrimônio, pagar US$ 60 milhões “não parece excepcional” para quem dispõe de bilhões em caixa, observou Solomont.

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Imagem: Internet

No cenário atual, Miami consolida-se como vitrine dos super-ricos, mas também levanta dúvidas sobre a formação de uma possível bolha imobiliária e os reflexos para quem vive e trabalha na cidade.

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Crédito da imagem: Getty Images

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