Supermercados freiam expansão de lojas físicas no Brasil
Supermercados que antes apostavam na abertura acelerada de unidades agora pisam no freio e priorizam eficiência. O Grupo Pão de Açúcar (GPA), por exemplo, chegou a 800 lojas em 2020, mas encolheu para cerca de 700 após vender parte do Extra Hiper ao Assaí e renegociar R$ 4,5 bilhões em dívidas por meio de recuperação extrajudicial.
Juros altos encarecem a expansão
A escalada da Selic, que saltou de 2% em 2020 para 15% ao ano em julho de 2025, tornou o crédito mais caro e elevou o custo de manter grandes redes. Segundo o Banco Central do Brasil (BCB), o ambiente de juros altos pressiona especialmente empresas alavancadas, como St Marche e Dia, ambas em processos de reestruturação para adequar dívidas superiores a R$ 500 milhões e R$ 1 bilhão, respectivamente.
Mudança no perfil do consumidor
Pesquisa da NielsenIQ indica que 66% dos brasileiros buscam preços menores e 80% planejam as compras antes de ir às gôndolas. A localização da loja, que já foi trunfo decisivo, perdeu força diante da possibilidade de comparar ofertas on-line. O resultado é maior espaço para atacarejos — responsáveis por 29% dos R$ 1,145 trilhão faturados pelo varejo alimentar em 2025, segundo a Abras.
Formatos menores e digitais ganham força
Especialistas como Ulysses Reis, da Strong Business School, apontam que a expansão física só se justifica onde há conveniência, baixo custo operacional e giro rápido de estoque. Por isso, redes investem em lojas de proximidade, marketplaces e retirada rápida em pontos estratégicos. O Grupo Mateus, que mais que dobrou o número de unidades entre 2017 e 2020, desacelerou aberturas e fechou departamentos pouco rentáveis, mesmo após faturar R$ 31 bilhões em 2025.
Mais lojas, mais custos
Cada nova unidade exige gastos com aluguel, folha de pagamento, logística e tecnologia. Em margens apertadas, esses custos corroem ganhos de escala. “Uma empresa pode vender mais e ainda assim ter resultado pior se a estrutura criada consumir o lucro”, resume o advogado Thomas Felsberg, especialista em reestruturação empresarial.

Imagem: Internet
Estratégias para manter a rentabilidade
Para conter despesas, redes renegociam contratos, apostam em marcas próprias e fecham lojas de baixo desempenho. O alívio, porém, não é imediato: custos trabalhistas e multas contratuais retardam o retorno. Ainda assim, analistas veem movimento irreversível em direção a operações mais enxutas e integradas ao digital, com lojas servindo como hubs de conveniência e distribuição.
Quer entender como juros e inflação impactam seu bolso? Confira outros conteúdos em nossa editoria de Finanças e continue atualizado.
Crédito da imagem: MAURO PIMENTEL/AFP
