sábado, outubro 10, 2026
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Inflação dos alimentos deve subir em 2027 com El Niño

Inflação dos alimentos deve subir em 2027 com El Niño

Inflação dos alimentos deve acelerar significativamente em 2027, impulsionada pelos efeitos do Super El Niño sobre a produção agrícola brasileira. A estimativa é da consultoria MB Associados, cujo estudo projeta alta entre 7,5% e 9,5% para a alimentação no domicílio no próximo biênio, com pico de até 11% entre agosto e novembro.

Arroz e feijão lideram a pressão

Segundo os economistas, o impacto climático atinge toda a cadeia agropecuária, mas arroz e feijão concentram o maior peso no Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). A colheita de feijão já sofrerá em 2026, enquanto o arroz continuará sentindo reflexos das enchentes de 2024 no Rio Grande do Sul, principal polo produtor. A combinação deve adicionar até 0,9 ponto percentual ao IPCA de 2027.

Efeito cascata alcança proteínas animais

Além dos grãos, o estudo aponta que a oferta de milho pode cair, pressionando os custos de ração e, em cadeia, encarecendo carnes bovina, suína e de frango. Historicamente, os preços das proteínas respondem com um atraso de nove a dez meses após o auge do fenômeno climático — previsto para outubro ou novembro —, o que desloca a maior parte do repasse para o segundo semestre de 2027.

Frete mais caro agrava cenário

A consultoria também prevê turbulências logísticas. Caso o El Niño provoque seca no Norte e Nordeste, a navegação fluvial pode ficar comprometida, deslocando cargas para portos do Sul e Sudeste e aumentando a demanda por transporte rodoviário. No último episódio de El Niño, entre 2023 e 2024, esse gargalo elevou o frete entre 10% e 22%. Relatório da Organização Meteorológica Mundial reforça que eventos extremos associados ao fenômeno tendem a se intensificar nos próximos anos.

Mais custos e inadimplência no campo

O contexto climático se soma à alta inadimplência no agronegócio e ao encarecimento de combustíveis e fertilizantes desde o conflito no Oriente Médio. “O setor enfrenta pressões de custo, de preço e, agora, climáticas. 2027 promete ser um ano difícil para o produtor e, consequentemente, para o consumidor”, avalia Sergio Vale, economista-chefe da MB Associados.

Para o consumidor, o aperto no bolso deve começar pelos hortifrutigranjeiros já no primeiro trimestre de 2027, sobretudo nas regiões com chuvas intensas. Grãos sentirão o choque no segundo semestre, seguidos pelas carnes até o fim do ano.

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Imagem: Internet

No radar de planejamentos familiares, especialistas recomendam reforçar a reserva financeira e diversificar o cardápio, priorizando itens menos sensíveis ao clima.

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Crédito da imagem: G1

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