Gasolina nos EUA sobe 30% e Trump pressiona petroleiras
Gasolina nos EUA sobe 30% e Trump pressiona petroleiras
Gasolina nos EUA subiu 30% em comparação ao mesmo período de 2023 e reacendeu o embate entre a Casa Branca e as grandes petroleiras. Segundo dados da American Automobile Association (AAA), o preço médio chegou a US$ 4,095 por galão na segunda-feira (4), maior patamar em quatro décadas para o mês de maio.
Trump critica lucros recordes
Em postagem na Truth Social, o presidente Donald Trump reclamou dos “lucros extraordinários” de Chevron, ExxonMobil e demais companhias, afirmando que os consumidores não deveriam arcar com valores tão altos. O republicano alegou que medidas de seu governo estimularam a produção de petróleo e, portanto, o setor deveria “repassar o benefício” à bomba. “Não estou satisfeito”, declarou a jornalistas, ao criticar pessoalmente o CEO da Chevron, Mike Wirth.
Tensão no Oriente Médio sustenta o petróleo
Mesmo sendo o maior produtor mundial de petróleo, os Estados Unidos sentem os reflexos da cotação internacional. O barril do Brent saltou de US$ 70 para US$ 126 com a crise no Estreito de Ormuz, região por onde escoa 20% da oferta global. Embora haja sinais de trégua nas negociações entre Washington e Teerã, o preço recuou apenas para a faixa de US$ 80.
Essa volatilidade ampliou o faturamento das gigantes do setor: juntas, ExxonMobil e Chevron reportaram US$ 29 bilhões em lucros no último trimestre, mais que o triplo obtido um ano antes.
Por que a queda demora a chegar ao consumidor
Especialistas lembram que refinarias trabalham com estoques e contratos de diferentes prazos, retardando o repasse de eventuais quedas. Além disso, parte das plantas norte-americanas é desenhada para processar petróleo mais pesado do que o produzido internamente, o que leva as empresas a exportar parte da produção leve e importar óleo pesado precificado no mercado global.
“Isso torna o mercado norte-americano ainda mais sensível às oscilações externas”, explica Nivaldo de Castro, coordenador do Gesel/UFRJ.

Imagem: Internet
Efeito no bolso e reação dos consumidores
Com a gasolina cara, 44% dos americanos reduziram viagens de carro, de acordo com pesquisa Ipsos/Washington Post-ABC. Muitos concentram compromissos em trajetos curtos ou migram para o transporte público.
Enquanto a pressão política segue, analistas avaliam que a capacidade do governo de interferir diretamente no preço final é limitada, já que produção, refino e distribuição são pulverizados entre empresas privadas.
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Crédito da imagem: American Automobile Association (AAA)
