segunda-feira, outubro 26, 2026
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Economia Lula 3: PIB cresce, desemprego cai, juros pesam

Economia Lula 3: PIB cresce, desemprego cai, juros pesam

Economia Lula 3 registra avanços no PIB e no mercado de trabalho, mas enfrenta o peso dos juros altos e do endividamento das famílias, segundo especialistas ouvidos após o segundo turno de 2026.

Crescimento e emprego em patamares históricos

O Produto Interno Bruto acumulou três anos consecutivos de expansão, enquanto a taxa de desemprego caiu ao menor nível da série. A renda média do trabalho também subiu, sustentada pela formalização em setores de serviços de baixa qualificação. Para Silvia Matos, do FGV/Ibre, a “média esconde realidades díspares”: agropecuária e extrativas puxaram o crescimento, ao passo que comércio e parte da indústria ainda dependem da recuperação do consumo interno.

Poder de compra limitado

Apesar da melhora dos indicadores, o salário mínimo de R$ 1.621 permanece próximo, em termos reais, ao valor de 2012. A inflação de alimentos, que desacelerou mas não recuou, corrói o orçamento das famílias que recebem até três mínimos. “É o efeito catraca: o preço sobe e não volta”, resume o economista José Luis Oreiro, da UnB.

Endividamento recorde e custo do crédito

Dados do Banco Central mostram que, em julho de 2026, 28,7% da renda familiar era consumida pelo pagamento de dívidas, com 11,5% apenas em juros. O percentual de lares endividados atingiu 81,7% em setembro, dominado pelo cartão de crédito. O programa Desenrola teve três fases e concedeu descontos que ultrapassaram 90%, mas Alessandra Ribeiro, da Tendências Consultoria, alerta que a medida “não altera juros elevados nem a escassez de crédito de longo prazo”.

Contas públicas pressionam a Selic

O déficit primário somou R$ 228,5 bi em 2023 e seguiu negativo até agosto de 2026. A dívida bruta alcançou 82,9% do PIB, reforçando a percepção de risco fiscal. Como consequência, a taxa Selic iniciou 2023 em 13,75%, recuou, mas voltou a 13,75% próximo das eleições, elevando o custo do capital. Para acompanhar as estatísticas oficiais, confira o Banco Central do Brasil, fonte primária dos dados.

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Imagem: Internet

Reforma tributária e BC autônomo ganham destaque

Analistas veem pontos positivos na reforma tributária sobre consumo, aprovada em 2026, e na manutenção da autonomia do Banco Central sob Gabriel Galípolo, cuja condução monetária manteve tom ortodoxo. Contudo, críticas recaem sobre a política industrial e o novo arcabouço fiscal, considerados insuficientes para conter gastos obrigatórios e juros da dívida.

Em síntese, o terceiro mandato de Luiz Inácio Lula da Silva combina indicadores macroeconômicos favoráveis com obstáculos que afetam o bolso do eleitor: inflação setorial, dívidas caras e incerteza fiscal. Para acompanhar outras análises sobre finanças pessoais e políticas públicas, visite nossa editoria de Finanças e continue informado.

Crédito da imagem: REUTERS/Adriano Machado

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