sexta-feira, novembro 6, 2026
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André Lara Resende nega reunião com Lula sobre juros

André Lara Resende nega reunião com Lula sobre juros

Andre Lara Resende afirmou que não manteve, nem tem agendada, qualquer conversa com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre a proposta que apresentou para reduzir a taxa básica de juros brasileira. O economista, ex-presidente do BNDES e um dos criadores do Plano Real, classificou como “notícia plantada” a informação de que faria parte das discussões da equipe econômica do Governo Federal.

Proposta de Conselho Fiscal e Monetário

No artigo publicado em setembro em sua newsletter no Substack, Lara Resende sugere instituir o Conselho Fiscal e Monetário Nacional (CFMN). O órgão, composto por especialistas, ministro da Fazenda, presidente do Banco Central e secretário do Tesouro, fixaria metas de longo prazo para política fiscal e monetária, atuando em coordenação com o Copom. Segundo o economista, a medida serviria para “ancorar expectativas” e permitir uma trajetória de queda gradual da Selic até alcançar patamar próximo ao crescimento nominal do PIB, acrescido de um “prêmio de prudência” entre 2 % e 3 %.

Críticas ao juro alto

Lara Resende sustenta que o principal fator de desequilíbrio das contas públicas não é o gasto primário, mas o custo da dívida provocado pelos juros elevados. Ele classifica o atual modelo como uma “bolsa-rentista”, na qual os pagamentos da dívida beneficiam a parcela mais rica da população e concentram renda. Dados do Tesouro mostram que, em 2025, o déficit primário ficou em 0,48 % do PIB, nível considerado baixo pelo economista, enquanto a Selic real segue como a maior do mundo.

Reações do mercado e de especialistas

Após a deputada Gleisi Hoffmann compartilhar o texto nas redes sociais, parte do mercado financeiro interpretou que a ideia ganharia espaço no futuro ministério da Fazenda. A repercussão levou analistas a acusar a proposta de ameaçar a autonomia do Banco Central. Lara Resende rebate, dizendo ser contrário a qualquer forma de tabelamento e que os números citados — como a Selic em 7,5 % em doze meses — são indicativos.

Nos Estados Unidos, o economista John Cochrane, da Hoover Institution da Universidade de Stanford, considerou o plano “sofisticado”, mas ressaltou que faltam precedentes históricos. Já segmentos do setor financeiro brasileiro alertaram para risco de fuga de capitais e pressão cambial. Em resposta, Lara Resende destaca que o Brasil possui reservas internacionais robustas, superávit comercial e inexistência de dívida externa relevante.

Próximos passos

Para sair do papel, o CFMN precisaria de aprovação do Congresso, já que o Banco Central não tem competência legal para criar conselhos independentes. Enquanto a proposta provoca debates, o economista reforça que não pretende ocupar cargos públicos e que seu objetivo é apenas aprimorar a arquitetura macroeconômica.

Em entrevista à BBC News Brasil, ele resumiu: “Não estou propondo um choque heterodoxo, mas um aperfeiçoamento institucional para que possamos convergir a um equilíbrio de juros baixos”.

Quer entender mais sobre os impactos dos juros na sua vida financeira? Visite nossa seção de Finanças e acompanhe outras análises econômicas.

Crédito da imagem: Agência Senado via BBC

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