André Lara Resende nega reunião com Lula sobre juros
Andre Lara Resende afirmou que não manteve, nem tem agendada, qualquer conversa com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre a proposta que apresentou para reduzir a taxa básica de juros brasileira. O economista, ex-presidente do BNDES e um dos criadores do Plano Real, classificou como “notícia plantada” a informação de que faria parte das discussões da equipe econômica do Governo Federal.
Proposta de Conselho Fiscal e Monetário
No artigo publicado em setembro em sua newsletter no Substack, Lara Resende sugere instituir o Conselho Fiscal e Monetário Nacional (CFMN). O órgão, composto por especialistas, ministro da Fazenda, presidente do Banco Central e secretário do Tesouro, fixaria metas de longo prazo para política fiscal e monetária, atuando em coordenação com o Copom. Segundo o economista, a medida serviria para “ancorar expectativas” e permitir uma trajetória de queda gradual da Selic até alcançar patamar próximo ao crescimento nominal do PIB, acrescido de um “prêmio de prudência” entre 2 % e 3 %.
Críticas ao juro alto
Lara Resende sustenta que o principal fator de desequilíbrio das contas públicas não é o gasto primário, mas o custo da dívida provocado pelos juros elevados. Ele classifica o atual modelo como uma “bolsa-rentista”, na qual os pagamentos da dívida beneficiam a parcela mais rica da população e concentram renda. Dados do Tesouro mostram que, em 2025, o déficit primário ficou em 0,48 % do PIB, nível considerado baixo pelo economista, enquanto a Selic real segue como a maior do mundo.
Reações do mercado e de especialistas
Após a deputada Gleisi Hoffmann compartilhar o texto nas redes sociais, parte do mercado financeiro interpretou que a ideia ganharia espaço no futuro ministério da Fazenda. A repercussão levou analistas a acusar a proposta de ameaçar a autonomia do Banco Central. Lara Resende rebate, dizendo ser contrário a qualquer forma de tabelamento e que os números citados — como a Selic em 7,5 % em doze meses — são indicativos.
Nos Estados Unidos, o economista John Cochrane, da Hoover Institution da Universidade de Stanford, considerou o plano “sofisticado”, mas ressaltou que faltam precedentes históricos. Já segmentos do setor financeiro brasileiro alertaram para risco de fuga de capitais e pressão cambial. Em resposta, Lara Resende destaca que o Brasil possui reservas internacionais robustas, superávit comercial e inexistência de dívida externa relevante.
Próximos passos
Para sair do papel, o CFMN precisaria de aprovação do Congresso, já que o Banco Central não tem competência legal para criar conselhos independentes. Enquanto a proposta provoca debates, o economista reforça que não pretende ocupar cargos públicos e que seu objetivo é apenas aprimorar a arquitetura macroeconômica.

Imagem: Internet
Em entrevista à BBC News Brasil, ele resumiu: “Não estou propondo um choque heterodoxo, mas um aperfeiçoamento institucional para que possamos convergir a um equilíbrio de juros baixos”.
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Crédito da imagem: Agência Senado via BBC

